TERESA AGUIAR É HOMENAGEADA PELA CÂMARA
A
primeira parte da 66ª reunião ordinária, realizada na segunda-feira, 27,foi destinada à
homenagem à diretora teatral Teresa Aguiar - foto, à direita - com o Presidente da Câmara Aurélio Claúdio (PDT)- foto, à esquerda- que recebeu a comenda da Ordem do Mérito Cultural, das mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no último dia 7, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Tradição luso-brasileira, a ordem do mérito cultural é nos dois países a única comenda voltada exclusivamente à valorização da cultura. Regulamentada em 1995, a comenda é o reconhecimento do governo federal da importância dos artistas e intelectuais na construção de uma sociedade mais justa.
Teresa Aguiar é fundadora do primeiro grupo de teatro profissional do interior de São Paulo, o Rotunda e do primeiro curso técnico profissionalizante de teatro do interior no Conservatório Carlos Gomes.
Advogada
e mestre em artes pela Universidade de São Paulo (USP), Teresa
nasceu em São Paulo mas desenvolveu a maior parte da carreira em
Campinas, onde recebeu o título de Cidadã Campineira e a Medalha
Carlos Gomes em reconhecimento ao seu trabalho. Desde agosto deste
ano, integra a Academia Campineira de Letras e Artes, ocupando a
cadeira Cacilda Becker.
Em 1984, ao lado de outros artistas,
fundou o Teatro de Arte e Ofício (TAO), que atualmente funciona como
ponto de cultura dedicado à formação técnica nas áreas do
audiovisual e artes cênicas.
Ao longo da carreira teatral Teresa Aguiar dirigiu mais de 40 espetáculos e até o final deste ano deverá lançar o primeiro longa-metragem adulto como o projeto Topografia de um Desnudo.
A
reunião contou com a presença do Secretário de Programa e Projeto
Cultural do Ministério da Cultura, Célio Turino. A iniciativa da noite foi do vereador Carlos Signorelli (PT).
Saiba mais sobre Topografia de um Desnudo
O filme resgata um acontecimento importante da história brasileira, ocorrido no Rio de Janeiro, na década de 60: a "operação mata-mendigos".
Funcionários do órgão do governo criado para tratar a questão dos moradores de rua - o serviço de repressão à mendicância - foram indiciados, juntamente com policiais.
O fato teve graves repercussões, mas foi "apagado" da história do país, e hoje, a maioria da população desconhece o episódio, que é apontado por alguns pesquisadores como a "ante sala" do golpe de 64, onde os mendigos serviriam de cobaia para técnicas de tortura "importadas", que seriam posteriormente empregadas em presos políticos.
Apesar
de ser baseado em fatos reais, Topografia de um Desnudo trafega
entre vários universos diferentes: o thriller policial, o drama
social, o filme-inquérito e a denúncia.
Texto: Huguette Gallo
Fotos: A.C. Oliveira/CMC
