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  • 2009
  • Câmara discute modelo de atendimento oftalmológico

Câmara discute modelo de atendimento oftalmológico

Câmara discute modelo de atendimento oftalmológico

Plenarinho da Câmara

A Secretaria de Saúde deve fechar nos próximos dias um acordo de parceria com o Hospital Beneficência Portuguesa, numa medida que vai representar mudança radical no modelo de assistência oftalmológica a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em Campinas. O novo sistema prevê que os atendimentos só vão ocorrer a partir de encaminhamento das unidades básicas de saúde ou pronto-socorros públicos.

Os casos considerados simples, como conjuntivite, por exemplo, deverão ser atendidos nos Centros de Saúde (CS) ou unidades de Pronto Atendimento (PA). Os quadros graves serão encaminhados aos três hospitais públicos de referência. Não haverá mais o chamado atendimento "porta aberta", como o que funcionava na Clínica Raskin - em que pacientes eram atendimentos diretamente por especialistas, 24 horas.

O modelo - apresentado na última quarta-feira (11/02) na Câmara de Vereadores durante debate promovido pelo vereador Dário Saadi (DEM) - é consequência de uma crise aberta no final do ano passado, quando a Raskin - então a principal referência do setor na cidade e que fazia cerca de 3,5 mil atendimentos por mês  - suspendeu as consultas noturnas e de finais de semana e feriados, alegando falta de especialistas. Hoje fila de espera é de quase 13 mil pessoas. Uma consulta na rede municipal pode chegar a cinco meses.

O problema, segundo o Secretário de Saúde, Francisco Kerr Saraiva, que participou do encontro na Câmara, é que na Clínica Raskin realizava todos os tipos de procedimentos - desde a identificação de causas de um eventual desconforto nos olhos, até a classificação dos chamados vícios de refração - miopia, astigmatismo e hipermetropia. Além disso, ainda tinha de avaliar e encaminhar os casos de emergência para os hospitais  Ouro Verde, HC da Unicamp e Celso Pierro, da PUC-Campinas.

PARCERIA -  O acordo com a Beneficência Portuguesa depende de aprovação pelo Conselho Municipal de Saúde, mas as conversações estão adiantadas. O hospital se compromete a montar estrutura - com a compra de equipamentos, contratação de pessoal e adaptação de uma área específica para esse fim. Depois, cobra pelo serviço prestado. A expectativa é realizar 1.500 atendimentos por mês.

"Assim que for aprovado, temos um período de 90 dias para colocar o sistema em funcionamento, mas garanto que fazemos isso muito antes desse prazo", afirmou o vereador Arley de Lara (PSB), que também é presidente do hospital. Ele exige, porém, algumas  garantias. "Não podemos investir na compra de equipamentos sem que tenhamos a certeza do acordo", argumentou. Só de equipamentos, a Beneficência prevê gastar R$ 900 mil.

A coordenadora de especialidades da Secretaria de Saúde, Valéria Vendramini, diz que entrada da Beneficência no sistema vai por fim à crise no atendimento. Segundo ela, entre 70% e 80% dos pacientes da Clínica Raskin – que estão na fila de espera hoje - se referem aos casos de refração. Ela acha que assim que os dois hospitais estiveram trabalhando simultaneamente, a espera vai cair para menos de dois meses.

Vendramini diz que o sistema a ser aplicado agora no setor de oftalmologia nada mais é que o adotado por outros setores da Saúde. "Ninguém que reclame hoje de um problema no coração, por exemplo, é atendido diretamente por um cardiologista. Ele só chega ao especialista depois de um encaminhamento pela rede básica", argumenta.

O vereador Dário Saadi diz que a Câmara vai acompanhar o desenvolvimento do novo sistema. "Se dentro de três ou quatro meses a gente perceber que não está funcionando, vamos pressionar para que o sistema antigo seja retomado", garantiu. Dário e Kerr Saraiva marcaram um encontro de avaliação do novo sistema para dentro de três meses.


Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara de Vereadores de Campinas

Fotos: A.C. Oliveira/CMC

Publicada em 12/02/2009 13h34