Camelôs fazem manifestação na Câmara
Regulamentação da profissão e a criação de um espaço exclusivo são as reivindicações da categoria
Na véspera da primeira
reunião da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que vai apurar a
venda de espaços públicos na região central da cidade, camelôs e
vendedores ambulantes realizaram um manifestação ruidosa nesta
segunda-feira na Câmara de Vereadores.
Os manifestantes promoveram um apitaço até a chegada ao prédio da Câmara; tomaram boa parte do plenário e abriram faixas que diziam: "Queremos pagar impostos" e “Todo o apoio à CEI do Solo Público”. Eles pediram a regulamentação da profissão e um espaço exclusivo próximo ao novo Terminal Rodoviário para os que estão sem vaga na região central da cidade.
Para a vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Informais de Campinas, Maria de Fátima de Souza, os trabalhadores só querem ser respeitados. "São só pessoas que querem trabalhar dentro da lei, e dignamente", completou.
A secretária geral do Sindicato, Elaine Cristina, diz que a regularização terá dois efeitos positivos: além de resolver o problema social, vai tornar o Centro da cidade mais orqanizado. Ela diz que hoje o camelôs são vistos como ladrões. "Não estamos envolvidos na venda de solo público, que foi a denúncia feita pela imprensa, estamos apenas buscando um espaço exclusivo para os nossos 350 sindicalizados", disse.
Elaine revelou ainda que "se houvesse um espaço destinado a eles, o número de sindicalizados dobraria", falou. A categoria também busca direitos como Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e aposentadoria. As representantes revelaram também que o sindicato apoia a CEI e que as denúncias devem ser apuradas, mas pedem que as reivindicações dos trabalhadores sejam atendidas.
Para oficializar o pedido, o presidente do Sindicato, Estanislau Pereira Coelho entregou ao presidente do Legislativo, vereador Aurélio Cláudio (PDT), um ofício com as demandas da categoria, pedindo a organização da economia informal.
Para o vendedor ambulante Antônio Vitório Texeira, de 62 anos, que há dois anos vende pipoca no Terminal Central, a destinação do espaço e a regulamentação seria muito bem-vinda. "Hoje, com a fiscalização da Setec, muitas vezes eu perco minha mercadoria, e com o prejuízo deixo de alimentar minha família e comprar a medicação para o meu tratamento contra e diabetes", contou.
A Comissão Especial de Inquérito (CEI), motivo do manifesto, que vai apurar denúncia de venda de espaços públicos na região central de Campinas e que supostamente seriam destinados a vendedores ambulantes, realizou nesta terça-feira (17/02), reunião onde definiu o cronograma de trabalho.
O pedido de instalação da CEI foi feito pelo vereador Campos Filho (DEM) e surgiu a partir de denúncias de venda de espaços públicos na região central da cidade, segundo mostrou a imprensa local.
Sobre a presença dos camelôs na Câmara, Campos Filho declarou que a manifestação é democrática e valoriza a cidadania. "Há um consenso dos participantes que estão envolvidos nessa iniciativa do Legislativo, que é de resolver o problema", disse.
Conheça a denúncia - De acordo com o jornal Correio Popular, a partir do pagamento de uma taxa de R$ 30,00, o comprador tinha direito a fazer parte de uma associação e ocupar um lugar que estivesse livre na Avenida João Penido Burnier - que serve de ponto final para os microônibus que vêm de Hortolândia e Sumaré.
O vereador disse, no entanto, que a CEI não deverá se ater ao problema específico apresentado pela reportagem. “Vai além disso”, assegurou. A ideia é apurar a denúncia e propor uma política para o setor. “Vamos ouvir todos os envolvidos na denúncia, é claro, mas o que mais nos importa neste momento não é discutir a questão pontual. Queremos colaborar para uma solução definitiva para o caso dos vendedores ambulantes na cidade”, afirmou o Campos Filho.
Os números - Não se sabe com segurança qual é o número de vendedores ambulantes e camelôs atuantes em Campinas. Fontes oficiais estimam em cerca de 1,2 mil apenas na região central, mas a expectativa dos comerciantes é que o número seja pelo menos o dobro.
Além de Campos Filho, a Comissão é formada por Josias Lech (PT), que será o relator, e os vereadores Paulo Oya (PDT), Arly de Lara Romeo (PSB) e Zé do Gelo (PV).
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
Fotos: A.C. Oliveira/ CMC
