Campinas recicla só 2% do lixo
Considerada
um dos principais pólos tecnológicos do País, Campinas está muito
aquém do desejado no que se refere a reciclagem do próprio lixo. A
cidade produz 900 toneladas de resíduos domésticos e industriais
por dia, mas recicla apenas 2% disso. Fica muito abaixo, por exemplo,
da cidade de São Paulo, que chega a reaproveitar 10% do seu lixo. A
reciclagem em Campinas é quase insignificante, se comparada com o
índice atingido por Curitiba, que bateu na casa dos 25%.
Os dados constam do relatório final da Comissão Especial de Estudos (CEE) instalada na Câmara no início deste ano para debater e analisar o sistema de coleta de lixo no município e a situação dos aterros sanitários. O relatório da comissão – formada pelos vereadores Luis Yabiku (PDT), Artur Orsi (PSDB) e Luiz Henrique Cirilo (PPS) – será votado na reunião desta quarta-feira (25/11).
O relatório mostrou ainda que apenas 25% dos resíduos da construção civil têm a destinação correta. O restante é encaminhado para locais inadequados por falta de locais e empresas especializadas neste tipo de trabalho.“A inércia do poder público na questão da destinação final do lixo em Campinas nos leva à conclusão de que a política de resíduos sólidos em nossa cidade não é prioridade da Administração”, conclui o vereador Artur Orsi, relator do processo. “Em cinco anos nada foi feito e o processo de remediação dos passivos ambientais foram iniciados, tão somente, quando da interdição do Aterro Delta A pela Cetesb”, continua o relatório.
Para os vereadores que assinam o relatório, “é necessário que o município estabeleça metas realistas, porém impositivas, para ampliação desse percentual de reciclagem de resíduos”. O relatório identificou 14 cooperativas de reciclagem na cidade.
Além
de fazer uma radiografia do problema, a CEE chama a atenção para
outros problemas. Diz que o Poder Público deve adotar metas quanto a
serem atingidas quanto ao aprimoramento das condições de tratamento
do lixo no Aterro Delta A, com a utilização de tecnologias mais
modernas e eficazes no controle e destinação final do chorume,
evitando-se a contaminação do subsolo. Além disso, pede a
implantação de medidas mitigatórias necessárias nos lixões da
Pirelli e Santa Bárbara, com prioridade aos investimentos para a
contenção das contaminações apontadas nos relatórios
apresentados à Cetesb e que fazem parte do Termo de Ajuste de
Conduta firmado com o órgão ambiental.
O relatório aponta algumas soluções. Sugere a criação de uma usina de reciclagem de material e lixo tecnológico; a disponibilização de lixeiras nos principais pontos de movimentação de pedestres da cidade, com equipamentos coletores de lixo reciclável, promoção de seminário municipal para a discussão do modelo de política nacional de resíduos sólidos e viabilização de novos estudos para verificar a possibilidade de transformar o Aterro Delta A, após seu esgotamento, em um mecanismo de desenvolvimento limpo, com aproveitamento do gás metano gerado.
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal
Foto: A.C. Oliveira/CMC
