Casa da Criança Paralítica: falta de apoio
Por indicação do vereador Jorge Schneider (PTB),
a primeira parte da 66ª reunião ordinária da Câmara de Vereadores
, nesta quarta-feira (04/11), foi reservada para a apresentação do
trabalho desenvolvido pela Casa da Criança Paralítica de Campinas.
Entidade filantrópica que tem como finalidade o atendimento de
crianças portadoras de deficiência física – a Casa completa 55
anos e enfrenta problemas financeiros.
Hoje, a Casa oferece atendimento especializado nas áreas de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, médica, odontológica, psicologia, serviço social e pedagógica a crianças e adolescentes de 0 a 18 anos portadores de necessidades especiais na área física, com comprometimento neurológico, além de orientação à família.
O diretor financeiro e administrativo da Casa, Odonel Urbano Gonçales, reclamou da falta de apoio do Estado. Ele diz que desde 2005, a Prefeitura repassa à Casa, R$ 28 mil por ano. “Isso é R$ 2,4 mil por mês, ou seja, R$ 10,52 por criança por mês. Isso dá para pagar quatro passagens de ônibus urbanos da cidade”, disse. “Com uma ajuda ao setor pedagógico que a Casa recebe, a Prefeitura oferece R$ 67,90 por mês por criança, mas essa mesma criança custa para a Casa, nada menos que R$ 700,00”, disse. O restante do valor, diz ele, é completado com a ajuda da comunidade. “A mesma comunidade que já paga impostos escorchantes. De acordo com ele, um convênio com o SUS demorou cinco anos para ser assinado “e até agora, não houve o repasse de um centavo sequer”, denunciou. "Nós não estamos aqui, com o pires na mão, pedindo dinheiro. Estamos pedindo dignidade ao nossos usuários", afirmou.
O presidente da entidade, Valdir José de Oliveira
Filho, disse que a Casa é obrigada a viver um processo de constante
renovação. “A Casa surgiu, basicamente, para tratar de crianças
vítimas de poliomielite, mas 30 anos depois da fundação, a doença
estava praticamente erradicada e a partir daí, passamos a fazer
outros tipos de atendimento”, disse.
Sob a orientação de um diretor clínico, a Casa da Criança presta serviços médicos de fisiatria, de neurologia, de ortopedia (ortopedia clínica e cirúrgica), de odontologia (ortodontia e clínica geral), de serviço social, de psicologia, de fisioterapia, de fonoaudiologia e de terapia ocupacional. “Hoje, a nossa missão está em atender a criança e promover sua reintegração à sociedade”, acrescentou Oliveira Filho.
EXEMPLO - Everton Monteiro do Carmo, 23 anos, é um exemplo do sucesso em que se transformou o processo de reintegração social promovido pela Casa. Ele contou que chegou à Casa em 1994, quando estava de 7 para 8 anos. Não andava, nem estudava. Saiu de lá em 2002 não apenas caminhando, como hoje está no segundo semestre do curso de Administração, com boa parte da mensalidade paga pela Casa. “Eu quero agradecer as pessoas que trabalham lá (na Casa). Na verdade, são anjos. Pessoas que sem receber nada, vivem para ajudar outras pessoas. E foi por intermédio dessas pessoas que consegui estudar e hoje posso enfrentar o mundo”, afirmou.
De acordo com seu estatuto, a Casa da Criança obriga-se a aplicar suas receitas única e exclusivamente na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais. Ainda de acordo com seu estatuto associativo, os membros de sua diretoria e de seu conselho fiscal não recebem nenhuma espécie de remuneração. “A história da Casa é baseada no voluntariado e, podem acreditar, esse trabalho nos dá um prazer enorme, muito maior que o esforço que os voluntários empreendem neste trabalho.”, garantiu o diretor clínico, Luiz Carlos Costa Morisco.
A prestação de serviços é totalmente gratuita e é vedado qualquer tipo de discriminação de usuário. No ano de 2007, foram atendidas 185 crianças, que exigiram mais de 20 mil atendimentos. Além disso, foram realizadas 16 cirurgias na área médica ortopédica. No ano de 2008, 209 crianças foram atendidas.
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal
Foto: A.C. Oliveira
