Comissões vão avaliar o setor da Saúde
População carcerária e saúde pública serão os temas
A Câmara de Vereadores de Campinas aprovou na sessão desta segunda-feira (09/02) a instalação de mais duas Comissões Especiais de Estudos (CEE) – ambas ligadas ao setor da Saúde. Uma delas vai discutir o atendimento médico prestado à população carcerária e a segunda quer avaliar o sistema de saúde pública na cidade.
Segundo o vereador Miguel Arcanjo (PSC), autor da proposta de criação da CEE da população carcerária, o atendimento médico oferecido hoje pelo Estado é insuficiente e inadequado. Além disso, diz o vereador, o procedimento se transformou numa atividade de alto risco para a população.
De acordo com o Arcanjo, que por cerca de 11 anos trabalhou como advogado criminalista no Complexo Penitenciário Campinas/Hortolândia, a cada deslocamento de um preso para um hospital, o Estado é obrigado a disponibilizar homens e viaturas para transporte e escolta, desguarnecendo áreas que deveriam ser prioritárias, como o patrulhamento na ruas ou o atendimento em situações de emergência.
Segundo estimativa do vereador, existem perto de 15 mil detentos em Campinas e em cidades próximas – como Indaiatuba, Americana, Sorocaba, Piracicaba, entre outras. Em algumas dessas cidades existem presídios e em outras foram instalados centros de ressocialização e cadeias públicas. Em quase todas as unidades, diz o vereador, os internos são mantidos em condições insalubres e muitos deles acometidos por doenças graves como Aids e câncer, recebem atendimentos em enfermarias. Deste total, cerca de 10 mil estão abrigados no Complexo Campinas/Hortolândia,
De acordo com o vereador, pelo menos 35 presos são deslocados diariamente do Complexo para atendimentos em hospitais públicos como o Hospital Municipal Mário Gatti, Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ou Hospital Celso Pierro, da PUC-Campinas. Além de demandar o deslocamento de efetivos policiais, lembra o vereador, há o risco à segurança.
“Não podemos nos esquecer que sempre existe a possibilidade de tentativas de resgate de presos por grupos do crime organizado. Você já imaginou se um dia desses acontece um tiroteio num hospital, ferindo pessoas inocentes?”, argumenta.
Arcanjo diz que a CEE tem objetivo fazer um diagnóstico do problema e propor soluções. Segundo ele, uma delas seria a construção de um hospital penitenciário na região de Campinas, como já existe na Capital paulista. “Se a gente criar uma estrutura para atendimento dos internos, vamos reduzir os riscos, tratar doentes da maneira mais correta e adequada, além de abrir vagas nas unidades hospitalares para a população em geral”, justifica o vereador. A composição da comissão será definida na quarta-feira (11/02).
SELLIN
– A ideia de instalação da CEE da Saúde
Pública partiu do vereador Francisco Sellin (PDT) e é,
na verdade, a sequência de um trabalho iniciado já há
quatro anos. “Começamos a fazer esse diagnóstico da
saúde pública em 2005 e continuamos nos anos seguintes.
A de 2009 vai tentar ver o que melhorou e o que deve ser melhorado,
mas queremos nos concentrar em dois pontos específicos da rede
básica. "Um deles é o setor oftalmológico.
O outro é da área ortopédica já que uma
consulta ou uma cirurgia está demorando pelo menos 1 ano”,
diz o vereador. Além de Sellin, a CEE será composta
pelos vereadores Arly de Lara Romeo (PSB) e Jairson Canário
(PT).
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara de Vereadores de Campinas
Fotos: A.C. Oliveira/CMC
