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  • 2009
  • Ciclo de Debates discute participação da sociedade na comunicação

Ciclo de Debates discute participação da sociedade na comunicação

Ciclo de Debates discute participação da sociedade na comunicação

Especialistas em debate na Câmara

Na tarde do último sábado (23/05), durante o terceiro encontro do Ciclo de Debates sobre Comunicação - Na Construção da Democracia, que discutiu a Censura, Controle Social, Lei de Imprensa e Liberdade de Expressão - Como a sociedade pode construir uma mídia mais cidadã, falou-se da importância do acompanhamento da sociedade no trabalho da mídia.

O jornalista José Carlos Torves, do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, falou que o país não tem uma tradição democrática e que há cultura de participação da sociedade na mídia. Em função disso, o sindicalista criticou as grandes empresas de comunicação. “É preciso a atuação do Ministério Público para enfrentar os proprietários da mídia”, disse. Ele defendeu o controle público da mídia e deixou claro que isso é o controle da sociedade e não do governo.

O jornalista e cientista político Antonio Roberto Espinosa, ex-líder de uma organização paramilitar no período da Ditadura, chamada VAR-Palmares, comentou o episódio da polêmica em que esteve envolvido na matéria da publicada pelo jornal Folha de São Paulo que distorceu uma entrevista com ele sobre o grupo para prejudicar a imagem da ministra Dilma Roussef. Ele contou que apesar de ter enviado duas cartas respostas, elas não foram publlicadas e o que propagou essa informação foram os blogs da internet onde houve grande participação dos blogueiros na publicação da carta. “Tivemos até um estudioso que comparou a foto da ministra publicada no jornal onde notou-se a montagem na ficha dela na época da ditadura”, contou.

O advogado e escritor Pedro Maciel se mostrou a favor do fim da Lei de Imprensa e disse que o vácuo que ficou com a derrubada da Lei é de responsabilidade dos políticos. “ A omissão política do parlamento e a falta de pressão da sociedade faz com que uma Lei que tramita há 12 anos não seja votada para suprir essa lacuna”, afirmou. Por outro lado o advogado salientou que em algumas situações pode-se recorrer ao Código Penal para possíveis danos causados pela imprensa. “No entanto questões sobre direito de resposta e retratação do veículo de comunicação precisam de uma lei específica”, afirmou. De acordo com ele, é preciso haver um controle social mais efetivo da sociedade através das associações .

O jornalista e escritor Rodolfo Konder, representante da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) que foi preso no DOI com o jornalista Wladimir Herzog, morto pela Ditadura falou da importância da liberdade de expressão, mas disse que hoje não há mais ética no jornalismo “Existe a morte da ética e eu sou cético quando se fala no ser humano, pois a imprensa é o espelho da sociedade e se ela não vai bem isso vai refletir diretamente no trabalho da imprensa”.

No próximo sábado, dia 30, acontece o último encontro do Ciclo de Palestras sobre Comunicação que tratará dos temas: Participação Social na Comunicação – Meios alternativos e especializados; Rádios e TVs comunitárias e Conferência Nacional de Comunicação – Participação da região na construção de democratização da comunicação.


Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas

Foto: A.C. Oliveira/CMC

Publicada em 25/05/2009 18h31