Ciclo de Debates discute participação da sociedade na comunicação
Na tarde do último sábado (23/05), durante o terceiro encontro do Ciclo de Debates sobre Comunicação - Na Construção da Democracia, que discutiu a Censura, Controle Social, Lei de Imprensa e Liberdade de Expressão - Como a sociedade pode construir uma mídia mais cidadã, falou-se da importância do acompanhamento da sociedade no trabalho da mídia.
O jornalista José Carlos Torves, do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, falou que o país não tem uma tradição democrática e que há cultura de participação da sociedade na mídia. Em função disso, o sindicalista criticou as grandes empresas de comunicação. “É preciso a atuação do Ministério Público para enfrentar os proprietários da mídia”, disse. Ele defendeu o controle público da mídia e deixou claro que isso é o controle da sociedade e não do governo.
O jornalista e cientista político Antonio Roberto Espinosa, ex-líder de uma organização paramilitar no período da Ditadura, chamada VAR-Palmares, comentou o episódio da polêmica em que esteve envolvido na matéria da publicada pelo jornal Folha de São Paulo que distorceu uma entrevista com ele sobre o grupo para prejudicar a imagem da ministra Dilma Roussef. Ele contou que apesar de ter enviado duas cartas respostas, elas não foram publlicadas e o que propagou essa informação foram os blogs da internet onde houve grande participação dos blogueiros na publicação da carta. “Tivemos até um estudioso que comparou a foto da ministra publicada no jornal onde notou-se a montagem na ficha dela na época da ditadura”, contou.
O advogado e escritor Pedro Maciel se mostrou a favor do fim da Lei de Imprensa e disse que o vácuo que ficou com a derrubada da Lei é de responsabilidade dos políticos. “ A omissão política do parlamento e a falta de pressão da sociedade faz com que uma Lei que tramita há 12 anos não seja votada para suprir essa lacuna”, afirmou. Por outro lado o advogado salientou que em algumas situações pode-se recorrer ao Código Penal para possíveis danos causados pela imprensa. “No entanto questões sobre direito de resposta e retratação do veículo de comunicação precisam de uma lei específica”, afirmou. De acordo com ele, é preciso haver um controle social mais efetivo da sociedade através das associações .
O jornalista e escritor Rodolfo Konder, representante da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) que foi preso no DOI com o jornalista Wladimir Herzog, morto pela Ditadura falou da importância da liberdade de expressão, mas disse que hoje não há mais ética no jornalismo “Existe a morte da ética e eu sou cético quando se fala no ser humano, pois a imprensa é o espelho da sociedade e se ela não vai bem isso vai refletir diretamente no trabalho da imprensa”.
No próximo sábado, dia 30, acontece o último encontro do Ciclo de Palestras sobre Comunicação que tratará dos temas: Participação Social na Comunicação – Meios alternativos e especializados; Rádios e TVs comunitárias e Conferência Nacional de Comunicação – Participação da região na construção de democratização da comunicação.
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
Foto: A.C. Oliveira/CMC
