Debate sobre Comunicação esquenta a discussão sobre democratização
O evento organizado pelo Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, pela Associação Campineira de Imprensa e pelo gabinete do vereador Sérgio Benassi, com apoio da Câmara, reuniu jornalistas, professores, diretores de empresas de comunicação em dois painéis: Comunicação da Construção da Realidade Social, Discursos e disputas pela Hegemonia e Imprensa Regional na Construção da Cidadania, Sotaque local, visão global. No dia 23, haverá discussão sobre convergência digital novas mídias, internet, censura, controle social da mídia, Lei de Imprensa e liberdade de expressão, também em painéis debates que começam às 9h e às 14h. (Veja programação abaixo)
O evento tem com o objetivo envolver a sociedade na discussão sobre a Comunicação, que como afirmou o jornalista Altamiro Borges é um direito humano, assim como a Saúde, Educação, Cultura, entre outros, mas que a grande maioria da população encara como um serviço de uma única via. “Não se avança na democracia se não se democratiza a informação e os meios de comunicação”, avalia.
O vereador Sérgio Benassi (PCdoB), destacou na abertura que a democratização das informações e dos meios de comunicação é necessário para o fortalecimento da democracia e da elevação da cidadania do povo. “Organizamos este evento com intuito incluir os cidadãos de Campinas e Região nestas discussões tão importantes para a nossa democracia”.
Os participantes inscritos pelos sites www.sergiobenassi.com.br; camaracampinas.spgov.br, www.sjsp.org.br e www.acinet.org.br receberão certificados. Mais informações no telefone (19) 3736-1740.
Debates
Na manhã do dia 16, os debates ficaram em torno do poder da mídia para a construção do ideário social e na capacidade que tem de pautar o debate político do País. A professora da Unicamp, Eni Orlandi, pesquisadora dos laboratórios de Estudos Urbanos (Labeurb) e de de Jornalismo (Labjor), destacou a importância e necessidade da nossa sociedade ter na mídia representadas suas diversas vozes. “A informação é controlada pelo poder econômico. As informações são repetidas em vários veículos. Vivemos um Jornalismo do óbvio e repetitivo” pensa.
Para Laurindo Leal Filho, ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação - iniciativa recente do governo de criar empresa de comunicação pública em substituição à comunicação governista feita pela antiga Radiobrás o debate sobre comunicação atualmente é um “não-assunto”, porque a sociedade está alheia à sua importância e os donos das grandes empresas de comunicação brasileira parecem não ter interesse em democratizar o tema, porque não tocam no assunto mas estão agindo nos bastidores. “Um grupo minoritário de entidades civis organizadas está interessado na discussão da comunicação”, lamenta. “Mas este grupo tem ganho força, porque conseguiu arrancar “à forceps” a Conferência Nacional de Comunicação” realça.
“A Conferência vai dar um salto neste debate que é de todos”, aposta Altamiro Borges, jornalista e editor do Vermelho (www.vermelho.org.br) e da Revista Sindical. “Mas os representantes do movimentos sociais devem se fortalecer porque os empresários estão indo em peso e vão querer pautar as discussões”, avalia.
Borges antecipa que os movimentos sociais querem discutir o fortalecimento da rede pública, rediscutir as concessões, estimular a pluralidade e diversidade de veículos de comunicação, discutir a distribuição da publicidade oficial para que não vá parar apenas nas mãos da grande indústria de comunicação, promover a inclusão digital e controle social.
Palestina - Outro debater que participou do primeiro do Ciclo foi o embaixador palestino e jornalista, Ibrahim Al Zeben. Ele relatou o esforço dos grandes grupos de mídia internacional em desmoralizar e reduzir a luta de resistência do seu povo, na palestina. “Somos tratados como terroristas, enquanto nosso povo é massacrado e expulso de nossa terra natal. Falaram tanto do muro de Berlim, mas não falam nada do muro que está sendo construído para separar os judeus dos palestinos”, ponderou. O muro citado, chamado de “cerca de separação”, é “um obstáculo físico de 8 metros de altura em Qalqilia, na Cisjordânia, à passagem de palestinos em direção às áreas israelenses que inclui muros, arame farpado, cercas eletrônicas e valas”, segundo informações da jornalistas Guila Flint, repórter da BBC. A obra terá 600 km.
A exposição motivou o debate sobre o poder da mídia de criar e destruir imagens. Para Laurindo Leal Filho, a grande mídia tem tanto poder penetração que nem a internet consegue vencer ainda.
PROGRAMAÇÃO
Dia 23/05 - 9h às 12h
Convergência
digital (TV Digital), novas mídias e internet
Como a
democratização dos meios digitais podem construir a
cidadania.
José Dias Paschoal Neto TV PUC
Marcelo
Pimenta Diretor da IMA e ex-superintende da
Anatel
Juliano Maurício Unesp Bauru
Dia 23 de
maio 14h às 17h
Censura, controle social, Lei de Imprensa e
Liberdade de Expressão
Como a sociedade pode construir uma
mídia mais cidadã.
Fenaj Sérgio Murilo Presidente
da Fenaj
Antonio Roberto Espinosa Jornalista e Cientista
Político
Pedro Maciel Advogado e Articulista
Rodolfo
Konder Associação Brasileira de Imprensa
Dia
30 de maio 9h às 12h
Participação Social na
Comunicação
Meios alternativos e especializados, Rádios
e TVs comunitárias
Célio Turino Ministério da
Cultura
José Luiz Nascimento Sóter Presidente da Abraço
Wanda Jorge Editora da Revista Ciência e Cultura
Cecília
Peruzzo Professoras da Metodista de SP Tvs comunitárias
Dia 30 de maio 14h às 17h
Conferência Nacional de
Comunicação
Participação da região na construção da
democratização da comunicação
Sindicato dos
Jornalistas
Associação Campineira de Imprensa
Prefeitura
de Campinas
Câmara Municipal de Campinas
Foto: AC Oliveira/CMC
