Documentário mostra como flanelinhas ocupam as ruas
Por indicação do vereador Francisco Sellin (PDT), a primeira parte da 70ª reunião ordinária da Câmara de Vereadores de Campinas desta quarta-feira (18/11) foi reservada para discutir a questão da ocupação do solo público. Documentário realizado por estudantes da PUC-Campinas denominado “Os donos da Rua” faz uma reflexão sobre a atividade dos guardadores de carros – que cobram de motoristas que estacionam em áreas públicas. O assunto faz parte dos temas abordados na Comissão Especial de Estudos (CEE) instalada na Câmara para debater e sugerir soluções sobre a população de rua, mendigos, pedintes e pessoas que realizam pequenos serviços nos semáforos e áreas públicas.
O filme mostra o
cotidiano dos chamados flanelinhas. Revela a forma como se organizam,
a maneira como as ruas são ocupadas e faz algumas denúncias. O
documentário mostra que pontos mais concorridos, onde há grande
fluxo de veículos, um ponto chega a custar R$ 50 mil. Um dos guardadores ouvidos no documentário,
conta que chegou a vender um carro para comprar o direito de explorar uma rua localizada próxima a
uma agência bancária.
Alguns dos flanelinhas disseram que a atividade é tolerada
pelos organismos oficiais. Dois dos entrevistados disseram que
recebem apoio informal da Guarda Municipal. Os guardadores revelam
ainda as diversas formas de abordagem aos motoristas, os preços
cobrados e episódios em conflito entre guardadores e motoristas. No filme não há depoimentos de motoristas.
Um dos autores do documentário, o jornalista Pedro Camarão, lembrou que existe uma legislação federal que trata do assunto. “Uma lei ainda do governo Geisel (presidente Ernesto Geisel – 1974 a 1979) regulamenta a atividade, mas não é aplicada”, disse.
O jornalista Renato Manjaterra, que também participou da elaboração do documentário, disse ter ficado surpreso com a forma como os vereadores encaram o problema. “Folgo em saber que a Câmara não vê a questão de uma forma linear; que os vereadores não partiram para o lado mais fácil do problema, que é o defender a repressão a esse tipo de atividade. O problema é mais complexo e merece uma reflexão mais profunda. E me parece que a Câmara entendeu isso”, disse.
Terceira integrante do grupo, a jornalista Aline Ortolan lembrou que as pessoas que se dispuseram a falar no documentário tinham ponto fixo e não fixam um preço pelo estacionamento, mas fez uma advertência. “Devemos lembrar que muitos não quiseram falar; outros não quiseram se identificar e que um dos homens que vivem de negociar pontos disse ser policial. O problema não se restringe apenas ao que foi mostrado”, alertou ela.
O vereador Francisco Sellin disse que o trabalho poderá ser útil na construção de um projeto de lei que possa abranger essa, e outras questões relacionadas com a vida nas ruas - como o pequeno comércio em semáforos, os moradores de rua, a prostituição e o tráfico de drogas.
A Comissão é presidida por Sellin e tem como integrantes os vereadores Prof. Alberto (DEM) e Biléo Soares (PSDB).
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal
Foto: A.C. Oliveira/CMC
