Encontro vê valorização da imprensa regional
“Os jornais tinham vergonha de serem “caipiras”, o chique era falar de acontecimentos nacionais ou internacionais. Esses veículos também graficamente eram cópias de jornais estrangeiros ou de grande circulação no país.. Com o surgimento da internet, os jornais chegavam com notícias velhas demais e a solução para os do interior estava justamente na ‘caipirice’, ou seja, destacar o que acontecia na região”, contou Homem de Mello.
Edilson Damas também concordou com a afirmação do diretor de jornalismo da RAC. “Cada vez mais a sociedade demonstrava interesse em ouvir notícias locais. O rádio nesse anseio encontrou um campo para crescer”. Ele se referiu principalmente a CBN Campinas, que após algumas reestruturações no jornalismo, hoje possui 30% de informação local, aproximadamente 7h30min de programação local, como determina a Constituição.
Outro assunto em destaque foi o consumo de jornais na cidade, que segundo Graça Caldas, é bem abaixo em relação a quantidade de habitantes em Campinas. “É um absurdo que Campinas com mais de 1 milhão de habitantes, consuma aproximadamente 40 mil exemplares.
Homem de Mello disse que o Notícias Já, se tornou um “fenômeno”, tanto de circulação, pois hoje ultrapassou as vendas do Correio Popular, atingindo 45 mil exemplares, quanto de estímulo à leitura.
A professora do Labjor aproveitou para criticar a falta de diversidade de vozes em Campinas, pois os três jornais que existem na cidade (Correio Popular, Diário do Povo e Notícias Já) pertencem a Rede Anhanguera de Comunicação. Segundo ela, seria importante a instalação de outro veículo na região para se ter mais pontos de vista a respeito das informações.
O diretor de jornalismo da RAC concordou com a professora, ele acredita que uma empresa dominando o mercado estrangula a possibilidade de informação e que “seria bom ter outro veículo, principalmente para avaliar o trabalho da Rede Anhanguera de Comunicação”.
Apesar do plenário da Câmara não receber a lotação máxima, foram discutidos entre alunos de faculdades como a PUC-Campinas e Uniesp-Hortolândia, a dificuldade que os veículos regionais têm em conseguir publicidade, devido a preferência das empresas ser a grande imprensa, as facilidades da rádio web, a qualidade da notícia, o diploma de Jornalismo e a melhora no ensino das Universidades da área.
Estiveram presentes também no Ciclo de debates sobre Comunicação, o presidente da Associação Campineira de Imprensa (ACI), Marcelo do Canto, o vereador Sérgio Benassi (PCdoB), além de representantes do Sindicato dos jornalistas.
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
Foto: AC Oliveira/CMC
