Especialistas defendem criação de delegacia especializada
Especialista defenderam a criação de uma delegacia especializada para apurar crimes sexuais contra criança e adolescente em Campinas, durante reunião da Comissão Especial de Estudos (CEE) da Pedofilia, realizada nesta sexta-feira (23/10) na Câmara. As delegadas Isabela Vita e Lícia Cordeiro, da Delegacia de Defesa da Mulher foram mais longe, sugeriram a implantação de um setor dentro da Polícia Militar exclusivo para investigar crimes sexuais pela internet. “Temos muita dificuldade em apurar crimes sexuais ligados a internet, é muito burocrático, pois temos que entrar em contato com a delegacia de crimes eletrônicos que fica em São Paulo. Diversas cidades já possuem essa delegacia, Campinas também deveria ter uma”, afirmou Lícia. Ela ainda disse que o intuito, nos dois casos, é atender a demanda que é muito grande, pois a delegacia atende a cidade e a Região Metropolitana de Campinas (RMC).
A ONG SoferNet Brasil, em pesquisa realizadas em 2006 e 2008 apurou o registro de cerca de 20 mil páginas que divulgam pornografia infantil. No primeiro semestre de 2008, foram entregues informações à CPI da Pedofilia sobre álbuns do Orkut, que permitiram a identificação de pelo menos 500 pedófilos.
As delegadas ainda divulgaram que 49 inquéritos de atentado
violento ao pudor, no qual se inclui a pedofilia foram registros em
2009 em Campinas. Já o superintendente do serviço
Disque Denúncia, Wilson Carlos Lima Lopes, disse que até
o mês de outubro houve 64 denúncias de crimes sexuais,
sendo que em 2008 foram 118 o ano todo. De acordo com ele, há
dois meses, devido a exposição do assunto na mídia,
as denúncias desse caso, que antes ficava na terceira posição
chegou a atingir a primeira posição, que antes era do
tráfico de drogas.
A diretora da entidade Enfrentamento à Explocaração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes (Eescca), Sandra Matiello, chamou a atenção para os crimes de exploração sexual e violência doméstica contra crianças. Ela caracterizou a pedofilia como um transtorno de comportamento. Sandra disse ser contra a castração química para condenar quem comete pedofilia. “O problema da resolução da violência doméstica, da violência sexual contra a criança e o adolescente é muito mais amplo do que uma castração química. Ainda não existem estudos que comprovem que realmente o método seja a solução do problema”.
A vereadora Leonice da Paz (PDT), presidente da CEE considerou a reunião muito esclarecedora. “Mais uma reunião extremamente produtiva. Acho que os convidados trouxeram informações importantes, como eu mesma coloquei aqui, tem muitas pessoas, a grande parcela da população, não sabe que na delegacia da mulher atende também questões ligadas a criança e o adolescente, muitas pessoas não tem conhecimento do número do disque denúncia. Então, entendo que todas essas informações vieram contribuir para o esclarecimento da nossa população. Leonice falou também que o próximo encontro da Comissão está previsto para a primeira quinzena de novembro.
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
Foto: A.C. Oliveira/ CMC
