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  • 2009
  • Gripe suína: Campinas adere às orientações do Ministério

Gripe suína: Campinas adere às orientações do Ministério

Protocolo foi debatido na Câmara por iniciativa do vereador Dário Saadi
Gripe suína: Campinas adere às orientações do Ministério

Reunião sobre a Gripe A na Câmara

Em audiência realizada nesta segunda-feira (13/07) na Câmara Municipal, a coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Campinas, Brigina Kemp anunciou que a cidade passa a partir de agora a obedecer à nova estratégia de enfrentamento da Gripe H1N1 definida pelo Ministério da Saúde. Durante os últimos dois meses as medidas estavam baseadas na tentativa de contenção da doença a partir da identificação precoce dos casos; do tratamento e isolamento dos casos positivos e no acompanhamento seus contatos próximos.

Diante do cenário atual – 43 casos registrados na cidade até agora, contra 16 no dia 29 de junho – a Vigilância reconhece que são necessárias medidas mais integradas de monitoramento da situação epidemiológica e de priorização da assistência aos casos graves ou com potencial de complicação.

Brigina alertou que o país enfrentará agora um período de transição da doença. “Estamos para entrar em um momento de transmissão comunitária, ou seja, a atenção agora não fica apenas nos casos de pessoas que foram viajar para outros países, vamos avaliar os casos que tiveram origem aqui. Sabíamos desde o começo que passaríamos por diversos casos”. Segundo ela, ainda não foi confirmada nenhuma transmissão na comunidade.

Entre as questões abordadas pelo novo protocolo do Ministério da Saúde está a coleta de material, administração do medicamento específico e monitoramento dos pacientes com suspeita da doença. Os cuidados a serem adotados pelos funcionários da saúde além do uso de máscara e o fornecimento de equipamentos, que devem ser usados somente em casos necessários, são: a lavagem das mãos, adotar etiquetas respiratórias (espirar ou tossir apoiado por lenços descartáveis) e não tocar as mucosas.

De acordo com a coordenadora, além do Hospital das Clínicas da Unicamp, o Hospital Municipal Dr. Mário Gatti começou nesta segunda o atendimento aos casos graves da gripe. Brigina ainda diz que a Secretaria Estadual de Saúde habilitou um hospital particular para fazer os mesmos atendimentos, no entanto, a Vigilância Epidemiológica está acertando os detalhes, por isso o nome da instituição não foi divulgado.

BALANÇO - Durante reunião desta segunda-feira na Câmara, que foi solicitada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Campinas e Região (Sinsaúde) e organizada pelo vereador Dário Saadi (DEM) para discutir os aspectos da nova gripe e os riscos a que estão submetidos os funcionários da rede de saúde - foi feito um balanço do avanço da epidemia na cidade e na região (Vinhedo registrou nono caso nesta segunda). A maioria dos 43 casos atingiu pessoas entre os 20 e 49 anos, proporcionalmente divididos entre os sexos feminino e masculino.

“Precisamos saber qual é a situação dos trabalhadores da saúde; o que podemos fazer e qual a orientação que será dada pela Vigilância com o novo protocolo”, afirmou o presidente do Sinsaúde, Edison Laércio de Oliveira.

O médico infectologista Rogério Jesus Pedro, disse que é importante conhecer o vírus para enfrentar essa pandemia. “A influenza A não tem muita diferença da Influenza comum, mas as duas podem levar à morte. A nova gripe assusta pela extensão no número de casos”, disse. Ele acrescentou, no entanto, que é normal a ocorrência de epidemias. “A cada três anos temos um surto de gripe e vão sempre acontecer outras ao longo da história da humanidade”.

Segundo o médico, agora é a época de transmissão da doença no hemisfério sul, após ela ter se espalhado por quase todos os continentes. O líder de casos no mundo são os Estados Unidos, com 33 mil confirmações e 170 mortes. Nesse ranking o Brasil está em 11ª posição, com 1.027 mil confirmações e três mortes até o momento.

“Os trabalhadores mais expostos serão aquele que tem contato direto com o paciente, através da realização de exames, coleta de material, transporte de material, entre outros”, advertiu Rogério Jesus. O médico alertou também para que os pacientes suspeitos de estarem com a doença devem usar máscara.

VACINA - A produção da vacina contra a nova gripe, que já foi desenvolvida, e que possivelmente estará disponível em setembro, também foi discutida no encontro desta segunda. Houve um alerta de que o medicamento não será suficiente para toda a população.

“Não vai ter vacina para 100% da população. Ainda tem que se estudar a disponibilidade para o mundo inteiro e a estratégia que os países vão usar”, advertiu Brigina.

O médico infectologista lembrou que apesar da criação da vacina, pode ser haja de novo a mutação do vírus da Gripe A, o que pode torna-la mais agressiva.

Esse foi a quarta reunião para discutir o assunto e segundo Dário Saadi, dependendo da evolução da doença serão realizadas mais reuniões.


Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas

Foto: A.C. Oliveira/ CMC

Publicada em 13/07/2009 18h02