Marcos Frota aplaudido de pé
Ao falar do projeto da escola de circo e do trabalho de promoção de pessoas com deficiência, o ator exibiu um vídeo de 7 minutos sobre a participação da escola na abertura dos Jogos Para-Panamericanos do Rio de Janeiro e emocionou a platéia ao relatar experiências e explicar a opção pessoal de trabalhar em projetos de inclusão por meio da arte.
O Unicirco, disse ele, é mais que
uma casa de espetáculos. O projeto abriga oficinas abertas, cursos
de formação para jovens carentes e, segundo o ator, tem como base
quatro vetores: artístico, pedagógico, cultural e social. “Entendemos o circo como um instrumento de
promoção humana”, disse. “O circo é o lugar daquele que não
tem lugar em lugar algum”, afirmou.
A
Unicirco, que após uma série de audiências locais e a seleção jovens carentes, estreou em Campinas em 17 de julho. O circo está instalado na Lagoa Taquaral, no
portão 05, e chegou à cidade por meio de uma parceria entre a
Instituição Cultural e Assistencial São Francisco de Assis e a
Prefeitura de Campinas. As apresentações continuarão
até o final deste ano.
O ator explicou as razões pelas quais tem um trabalho de promoção dos cidadãos com deficiência e porque considera Campinas “um lugar especial”. Lembrou que entre os anos de 1982 e 1983 viveu no teatro, a história do escritor e dramaturgo Marcelo Rubens Paiva que, ainda estudante da Unicamp, rompeu duas vértebras da coluna cervical ao mergulhar num lago instalado no campus da universidade. Marcelo Rubens Paiva ficou tetraplégico.
“Foi depois desse trabalho no teatro, que ganhei prêmios e acabei sendo chamado para trabalhar na Globo, onde estou desde então e onde vivi três dos personagens mais marcantes na minha carreira, todos eles, deficientes físicos”, disse ele referindo-se ao surdo-mudo Tomas, da novela O Sexo dos Anjos (1989); ao personagem Tonho da Lua, um autista vivido na novela Mulheres de Areia (1993), e o cego Jatobá, na trama América, de 2005. “Depois de tantas experiências maravilhosas, eu tinha de retribuir de alguma forma”, disse.
O ator lembrou que Campinas vai abrir a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência ainda no dia 20, com a apresentação da orquestra do maestro João Carlos Martins. No dia seguinte, entre outros eventos, haverá palestra com campeão olímpico Lars Grael – que perdeu uma das pernas num acidente - e um show do Paralamas do Sucesso. O líder do grupo, Herbert Viana, sofreu um acidente de ultraleve em fevereiro de 2001 e ficou paraplégico.
“Nosso trabalho tem dois aspectos importantes: além de mobilizar a sociedade e sensibilizar as pessoas para o problema dos deficientes, trabalhamos para acabar com o preconceito, em especial aquele velado, disfarçado e que humilha e segrega pessoas de enorme talento”, disse.
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal.
Foto: A.C. Oliveira/CMC
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