Movimento Negro: Câmara abriga debate sobre reparação
No dia em que muitos
municípios do País lembram o Dia da Consciência Negra, a Câmara
Municipal de Campinas abriga nesta sexta-feira (20/11) um debate
sobre reparação histórica, com o engenheiro e um dos fundadores do
Movimento Negro Unificado do Brasil, Yedo Ferreira. Considerado um
dos principais teóricos brasileiros neste tipo de discussão, Yedo
deverá falar sobre o processo de construção de um conceito
brasileiro de reparação, tomando como base a realidade brasileira e experiências
internacionais. Para Maurílio Silva, do Movimento Negro Unificado de
Campinas, que também vai participar do debate, "a reparação não
passa apenas pelo pagamento de indenizações, mas também pelo
acesso à terra e a adoção de políticas públicas de educação,
cultura e emprego voltada para a população negra", disse.
O debate na Câmara
integra uma extensa programação que vem sendo desenvolvida na
cidade desde o dia 03 de novembro e que deverá se encerrar apenas
no dia seis de dezembro, nas comemorações do chamado Mês da Consciência
Negra. Neste período, deverão ser realizadas atividades culturais
como mostras de cinema, oficinas de teatro, música, dança e artes
plásticas e manifestações religiosas; além de palestras e cursos
sobre diversidade cultural, a participação das mulheres nos movimentos
sociais e culturais e inclusão social do negro.
Além da reparação, o debate ainda vai abordar questões como o Estatuto da Igualdade Racial; crimes da história, tráfico e escravidão. O debate na Câmara - que terá a mediação de Juliana Nicomedes - começa às 16h30 e é aberto ao público. A Câmara está localizada na Av. Eng. Roberto Mange, 66, Ponte Preta.
ZUMBI - O mês de novembro é considerado o Mês da Consciência Negra. Data instituída pelo movimento negro do Brasil e já incorporada ao calendário oficial de muitas cidades brasileiras, como Campinas, por exemplo, faz referencia ao aniversário de morte do líder negro Zumbi dos Palmares, no dia 20 de novembro - Dia Nacional da Consciência negra.
Zumbi foi o grande líder do quilombo dos Palmares, respeitado herói da resistência anti-escravagista. Pesquisas e estudos indicam que nasceu em 1655, sendo descendente de guerreiros angolanos. Em um dos povoados do quilombo, foi capturado quando garoto por soldados e entregue ao padre Antonio Melo, de Porto Calvo. Criado e educado por este padre, o futuro líder do Quilombo dos Palmares já tinha apreciável noção de Português e Latim aos 12 anos, sendo batizado com o nome de Francisco. Padre Antônio Melo escreveu várias cartas a um amigo, exaltando a inteligência de Zumbi (Francisco). Em 1670, com quinze anos, Zumbi fugiu e voltou para o Quilombo. Tornou-se um dos líderes mais famosos de Palmares.
"Zumbi" significa: a força do espírito presente. Baluarte da luta negra contra a escravidão, Zumbi foi o último chefe do Quilombo dos Palmares.
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal.
Foto: A.C. Oliveira/CMC
