Projetos da rodoviária devem ser votados em extraordinária
Depois de uma tramitação tumultuada, que durou quase 70 dias, os dois projetos do Executivo que tratam da requalificação do entorno da rodoviária nova e do antigo terminal de ônibus, no bairro do Botafogo, deverão ser votados nesta terça-feira (15/12) em reunião extraordinária da Câmara. A decisão foi anunciada na manhã da última sexta-feira (11/12), durante audiência pública realizada pela Comissão de Política Urbana e de Finanças e Orçamento.
Os dois projetos deverão se transformar numa das mais radicais intervenções urbanística já verificadas na região central da cidade. Um deles, cria uma área especial de urbanização no entorno do Terminal Multimodal, onde está a rodoviária nova, numa preparação da cidade para a chegada do Trem de Alta Velocidade (TAV). Outro, prevê a requalificação da área onde operava o antigo terminal. Nos planos da Prefeitura está, inclusive, a demolição do prédio da rodoviária velha e a área deverá ser ocupada por empreendimentos comerciais.
Os projetos integram, ainda, o programa de segurança para a região central implementado pela Prefeitura e que foi batizado de “Tolerância Zero”. O programa prevê a retirada das ruas de traficantes e consumidores de drogas, mendigos, moradores de rua e pessoas que realizam pequenos trabalhos nos semáforos e cruzamento da cidade.
Líder do governo na Câmara, o vereador Francisco Sellin (PDT), disse que ficou surpreso com as dificuldades verificadas na tramitação dos processos. “Foi muito mais complicado do que eu imaginava”, disse ele. “Diante da relevância dos projetos e da premente necessidade de intervenção do Poder Público naquela região, eu achava que os projetos seriam aprovados sem nenhum problema. Infelizmente não foi assim, mas o mais importante é que agora eles serão votados este ano e a Prefeitura vai poder fazer as intervenções que, todos os vereadores concordam, são de fundamental importância para a melhoria da qualidade de vida de toda a região central da cidade”, afirmou.
O vereador Zé Carlos
(PDT), presidente da Comissão de Política Urbana, disse que a
audiência serviu para dirimir todas as dúvidas a respeito dos
projetos e, por isso, não via motivos para que não fossem votados.
“A Comissão marcou a audiência para tirar todas as dúvidas e
isso foi feito. Diante disso, não vai ser a comissão que vai
segurar os projetos, de jeito nenhum”, afirmou ele.
Pelo primeiro projeto, ficam estabelecidas condições especiais de urbanização para o quarteirão contornado pelas avenidas Andrade Neves, Barão de Itapura e pelas ruas Barão de Parnaíba e Marques de Três Rios, no qual se situava o antigo terminal rodoviário. Na justificativa a Prefeitura explica que pretender dar uso a uma área urbana onde o município fez uma intervenção e que pela necessidade de transferência do Terminal de passageiros ficou sem utilização.
De acordo com o Executivo, o objetivo é estimular o crescimento de atividades econômicas na região, que em função da mudança de endereço do Terminal Rodoviário, passou a não mais ter foco de comércio e serviços. Nos planos da Prefeitura está a demolição do prédio da antiga rodoviária para dar lugar a empreendimentos comerciais.
O segundo projeto cria a Área Especial de Reurbanização do Terminal Multimodal – perímetro limitado pelas seguintes vias: Av. Senador Saraiva, Av. João Jorge, Rua Dr. Sales de Oliveira, Rua Cel. Antônio Manuel, Rua 24 de Maio, Rua Amador Bueno, Rua Catarina Iglese Soares, Av. Dr. Carlos de Campos, Rua Antonio Bento, Av. Buenos de Campos, Rua Dr. Salustiano Penteado, Rua Otávio Mendes, Rua Culto à Ciência, Rua Hércules Florence e Radial João Penido Burnier.
O objetivo do projeto, segundo o Executivo, é definir diretrizes, políticas e programas que visem preservar, manter e recuperar o patrimônio arquitetônico e cultural. Pretende, ainda, definir critério de uso e ocupação do solo para a região, que promovam a revitalização da área; uniformizar e adequar o mobiliário urbano. Para isso, o projeto prevê incentivos fiscais para a recuperação e manutenção de edificações.
Para o secretário de Urbanismo da Prefeitura, Hélio Jarreta, o projeto do Terminal Multimodal tem como principal objetivo preparar a cidade para a chegada do Trem de Alta Velocidade (TAV) – que vai ligar Campinas a São Paulo e ao Rio de Janeiro. “Os dois projetos têm esse viés (chegada do TAV). Além disso, precisamos dar vida à essa região da cidade, uma área altamente infraestrutura, mas que está subutilizada”, afirmou.
A previsão do governo federal é gastar pelo menos R$ 34 bilhões no projeto do TAV.
Texto: Assessoria de
Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
Foto: A.C. Oliveira/CMC
