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  • 2009
  • Especialista quer mudança de conceito na Campanha da Pichação

Especialista quer mudança de conceito na Campanha da Pichação

Especialista quer mudança de conceito na Campanha da Pichação

O Politizador em debate no plenarinho

Durante as reuniões da Comissão Especial de Estudos (CEE) que estuda os impactos da pichação na cidade, que aconteceram na manhã e tarde desta quinta-feira (30/04), o psicoterapeuta, Ivan Roberto Capelatto e representantes do Centro de Orientação ao Adolescente de Campinas (COMEC), sugeriram mudanças no conceito da Campanha contra a pichação. Para eles, a Campanha deve ter a educação como objetivo principal, e não a repressão. A cidade de Joinville (SC) foi citada pelo médico como modelo, já que a Prefeitura da cidade criou para os adolescentes pichadores, cursos de artes, gerando grafiteiros profissionais.

Segundo o presidente da Comissão, vereador Antonio Francisco - O Politizador (PMN), a Campanha já conseguiu 8 mil assinaturas. Mas o psicoterapeuta questionou o apoio. “Dessas oito mil pessoas, com quem efetivamente poderemos contar para reeducar nossos jovens?”, questionou. Ainda de acordo com o médico, a Campanha estimula, e não impede o jovem de cometer o crime.

A estudante de 16 anos, Mariana Rodrigues, concorda com Capelatto. Para ela, os pichadores precisam de uma ocupação, e não ser tratados como criminosos. “Os jovens estão cometendo o crime porque não tem emprego, escola ou nenhuma outra atividade. E é disso que eles precisam. O confronto não vai resolver nada, precisamos de uma solução concreta”, avaliou.

Para a psicóloga do Programa de Aprendizagem Profissional do COMEC, Kedma Campos de Oliveira, os jovens estão tendo uma grande oportunidade de refletir o tema participando das reuniões da CEE. O programa que os adolescentes estão participando, e que envolve a pichação, tem o objetivo de desenvolver espírito crítico e capacidade de se pronunciar e de ouvir. A cada seis meses um novo tema é estudado. “Nossos adolescentes saíram daqui hoje muito mais provocados, no sentido de continuar essa discussão. A contribuição de hoje foi muito além da nossa expectativa”, revelou.

A psicóloga Maria de Fátima Franco dos Santos, também palestrante do encontro desta quinta, disse que a pichação deve ser combatida. “O ato de pichar é um crime, precisa ser combatido e denunciado”, disse. Para resolver a questão, a médica sugere união dos poderes e da sociedade.

Também empenhado no auxilio aos jovens pichadores, o major da Polícia Militar, Nelson Vicente Coelho, sugere o apoio do terceiro setor - constituído por organizações sem fins lucrativos e não governamentais. “O terceiro setor é importante porque nos ajuda a propiciar uma segurança pública adequada à sociedade, contribuindo com técnica e conhecimento nas relações interpessoais”, explicou.

O vereador Artur Orsi (PSDB), autor da lei que proíbe venda de tinta spray para menores de 18 anos – 12.300/2005, apoia a iniciativa de Politizador. “O trabalho da Comissão tem sido excelente. Como legisladores somos muito limitados na relação direta com os jovens. Esses encontros propiciam essa ajuda”, disse.

Durante a reunião, o Politizador contou sua história aos adolescentes do COMCEC, e afirmou ser um grafiteiro nos anos 80. “Nunca fui um pichador, fui um idealista”, se referindo às frases “A saga de um Politizador”, que escrevia nos muros da cidade. Sobre o encontro dessa quinta, o vereador está satisfeito. “Fiquei muito surpreso com a presença dos jovens, isso foi louvável, é o verdadeiro exercício da cidadania. Além das palestras, que contribuíram muito com os trabalhos da Comissão”, avaliou o parlamentar.

Também fazem parte da CEE, os vereadores Biléo Soares (PSDB) e Leonice da Paz (PDT), que é a relatora.


Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas

Fotos: A.C. Oliveira/CMC

Publicada em 30/04/2009 18h14