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  • 2009
  • Taxistas querem garantir direitos

Taxistas querem garantir direitos

Taxistas querem garantir direitos

Audiência Pública sobre táxis

Taxistas de Campinas defenderam no último sábado, em audiência pública realizada na Câmara Municipal, mudanças na lei que regulamentará o setor, mas fizeram um alerta: querem que alterações como a proibição da transferência de permissão seja restrita apenas aos que ingressarem na atividade a partir da regulamentação da lei. Representantes da categoria e autoridades do Executivo e Legislativo discutiram as dez emendas a serem apresentadas no projeto, que ainda não tem data para entrar em sua segunda votação. As emendas se referem a realização de processo licitatório para exercer a profissão, determina critérios para a transferência de permissão, regulamenta o serviço de táxi executivo, estabelece relação entre permissionário e auxiliares, exige curso de qualificação, seguro de vida obrigatório, desconto de 50% na multas pagas em dia, além de preferência para quem trabalha no sistema e quer participar de alguma licitação.

O presidente do Sindicato dos Taxistas Permissionários Autônomos do Município de Campinas, Jorge Pansane de França, se mostrou preocupado com o aumento na quantidade de veículos em Campinas, que de acordo com a nova legislação poderia chegar a um número de 1.300. Hoje a cidade conta com 784 táxis comuns e a proposta abriria margem para mais 600 permissões. Aprovada a alteração na que regulamenta o serviço de táxi, a Prefeitura pretende abrir processo licitatório para 115 novas vagas.

O representante da Secretaria de Transportes, Roberto Brederode disse que não há pretensão de chegar ao número a esse número limite. “A lei permite, mas nos estudos atuais, que foram feitos pela gerência de planejamento, será aberta somente mais 115 vagas para compor o quadro”.

O presidente do Sindicato dos Permissionários também defendeu a abertura do processo licitatório na cidade. “Quem está dentro do sistema hoje não ganhou a placa, ele investiu nessa placa. Então é injusto nessa nova lei perdermos o benefício de transferir livremente essa permissão. Eu achei que foi de muito bom senso dos vereadores e Executivo apoiar a nossa reivindicação” França ainda se mostrou a favor do processo licitatório, pois acredita que evitará falcatruas durante a distribuição de placas.

“A proibição da transferência se pauta em Lei Federal, no entanto os vereadores criaram uma emenda, que garante o direito adquirido dos taxistas que já fazem parte do sistema. De acordo com a proposta, eles teriam que estar fora dessa regra”, explicou o representante da Secretaria, Roberto Brederode.

Outra regulamentação que causa polêmica é a referente aos táxis executivos. Em Campinas existem 200 empresas, que não tem normas para seu funcionamento. A nova legislação pretende assegurar tanto direitos quanto deveres para essa classe. No entanto, a regularização vai implicar que as empresas passem por processo licitatório, mesmo as já existentes.

“Os empresários do transporte executivo não querem concorrer nem se misturar, muito menos atrapalhar a vida dos taxistas. Eles são prestadores de serviço, com contratos firmados com empresas e com hotéis no sentido de promover um trabalho diferenciado de transporte com melhor qualidade”, afirmou a representante das empresas de transporte executivo, Maria Odete Ferrari Pregnolatto.

Maria Odete ainda acredita que a regulamentação desse tipo de transporte deve ser feita por decreto específico para a categoria e nesse decreto ser avaliada a necessidade ou não da licitação.

“Desde que se regularize e a Emdec pare de tratar o transporte executivo como clandestino, pois eles são empresas legitimamente constituídas, desde que se regularize e que transforme o serviço deles, em um serviço reconhecido pelo Município, nós aceitaremos a colocação que for feita pelo Executivo” explicou a representante dos empresários do transporte executivo.

Já o Sindicato dos Trabalhadores Empregados de Táxi de Campinas e Cidades Anexas (Sintretáxi), representado pelo presidente César Roberto Góes, chamou a atenção para a emenda que busca privilegiar os auxiliares, ao estabelecer critérios para a relação entre eles e os permissionários.

“A questão dos auxiliares é um título que é utilizado para mascarar a relação de trabalho e emprego. Porque o auxiliar tem horário para entrar e para sair; cumpre jornada semanal; é responsável pelo veículo, por danos, perdas e acidentes. Então, isso caracteriza um vinculo empregatício. Nós queremos que na nova lei se mantenha a figura jurídica do empregado que também está na legislação municipal”, explicou Góes.

Segundo o presidente do Sintretáxi, em Campinas há pelo menos mil auxiliares, que fazem 70% do serviço de táxi da cidade, porque muitos permissionários não trabalham mais. Esse trabalhadores chegam a fazer uma jornada de trabalho de 12 horas diárias.

O representante da Secretaria de Transportes, Roberto Brederode, acredita que a ainda haverá mais discussões sobre o assunto, mas que agora a aprovação do projeto está nas mãos do Executivo. “Todo o movimento surgiu após detectar que a lei está muito antiga, é datada de 1977. A cidade hoje é outra, as exigências da sociedade mudaram, e uma delas é aumentar a quantidade de vagas em Campinas, por isso estamos com essa tarefa difícil, mas interessante. Temos vários pontos de convergências, o que é normal dentro de uma democracia”.



Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas

Foto: A.C. Oliveira/ CMC

Publicada em 28/09/2009 20h32