Taxistas querem garantir direitos
O presidente do Sindicato dos Taxistas Permissionários Autônomos do Município de Campinas, Jorge Pansane de França, se mostrou preocupado com o aumento na quantidade de veículos em Campinas, que de acordo com a nova legislação poderia chegar a um número de 1.300. Hoje a cidade conta com 784 táxis comuns e a proposta abriria margem para mais 600 permissões. Aprovada a alteração na que regulamenta o serviço de táxi, a Prefeitura pretende abrir processo licitatório para 115 novas vagas.
O representante da Secretaria de Transportes, Roberto Brederode disse que não há pretensão de chegar ao número a esse número limite. “A lei permite, mas nos estudos atuais, que foram feitos pela gerência de planejamento, será aberta somente mais 115 vagas para compor o quadro”.
O presidente do Sindicato dos Permissionários também defendeu a abertura do processo licitatório na cidade. “Quem está dentro do sistema hoje não ganhou a placa, ele investiu nessa placa. Então é injusto nessa nova lei perdermos o benefício de transferir livremente essa permissão. Eu achei que foi de muito bom senso dos vereadores e Executivo apoiar a nossa reivindicação” França ainda se mostrou a favor do processo licitatório, pois acredita que evitará falcatruas durante a distribuição de placas.
“A proibição da transferência se pauta em Lei Federal, no entanto os vereadores criaram uma emenda, que garante o direito adquirido dos taxistas que já fazem parte do sistema. De acordo com a proposta, eles teriam que estar fora dessa regra”, explicou o representante da Secretaria, Roberto Brederode.
Outra regulamentação que causa polêmica é a referente aos táxis executivos. Em Campinas existem 200 empresas, que não tem normas para seu funcionamento. A nova legislação pretende assegurar tanto direitos quanto deveres para essa classe. No entanto, a regularização vai implicar que as empresas passem por processo licitatório, mesmo as já existentes.
“Os empresários do transporte executivo não querem concorrer nem se misturar, muito menos atrapalhar a vida dos taxistas. Eles são prestadores de serviço, com contratos firmados com empresas e com hotéis no sentido de promover um trabalho diferenciado de transporte com melhor qualidade”, afirmou a representante das empresas de transporte executivo, Maria Odete Ferrari Pregnolatto.
Maria Odete ainda acredita que a regulamentação desse tipo de transporte deve ser feita por decreto específico para a categoria e nesse decreto ser avaliada a necessidade ou não da licitação.
“Desde que se regularize e a Emdec pare de tratar o transporte executivo como clandestino, pois eles são empresas legitimamente constituídas, desde que se regularize e que transforme o serviço deles, em um serviço reconhecido pelo Município, nós aceitaremos a colocação que for feita pelo Executivo” explicou a representante dos empresários do transporte executivo.
Já o Sindicato dos Trabalhadores Empregados de Táxi de Campinas e Cidades Anexas (Sintretáxi), representado pelo presidente César Roberto Góes, chamou a atenção para a emenda que busca privilegiar os auxiliares, ao estabelecer critérios para a relação entre eles e os permissionários.
“A questão dos auxiliares é um título que é utilizado para mascarar a relação de trabalho e emprego. Porque o auxiliar tem horário para entrar e para sair; cumpre jornada semanal; é responsável pelo veículo, por danos, perdas e acidentes. Então, isso caracteriza um vinculo empregatício. Nós queremos que na nova lei se mantenha a figura jurídica do empregado que também está na legislação municipal”, explicou Góes.
Segundo o presidente do Sintretáxi, em Campinas há pelo menos mil auxiliares, que fazem 70% do serviço de táxi da cidade, porque muitos permissionários não trabalham mais. Esse trabalhadores chegam a fazer uma jornada de trabalho de 12 horas diárias.
O representante da Secretaria de Transportes, Roberto Brederode, acredita que a ainda haverá mais discussões sobre o assunto, mas que agora a aprovação do projeto está nas mãos do Executivo. “Todo o movimento surgiu após detectar que a lei está muito antiga, é datada de 1977. A cidade hoje é outra, as exigências da sociedade mudaram, e uma delas é aumentar a quantidade de vagas em Campinas, por isso estamos com essa tarefa difícil, mas interessante. Temos vários pontos de convergências, o que é normal dentro de uma democracia”.
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
Foto: A.C. Oliveira/ CMC
