Fórum Ambiental: especialista traça futuro sombrio para o planeta
De acordo com ele, a questão ambiental já não passa mais por medidas de cuidado ou proteção ao meio ambiente. A partir de agora, diz, “é preciso adotar medidas urgentes para evitar que sejam ultrapassados os limites que colocam em risco a própria existência humana”.
Citando o ex-secretário geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan, Novaes diz que o problema central da humanidade não está no terrorismo, mas sim, nas mudanças climáticas já em curso, e nos padrões globais insustentáveis de produção e consumo.
Ele diz que se as emissões de gases que intensificam o efeito estufa continuarem no ritmo atual, no século 21 a temperatura da Terra se elevará entre 1,4 e 5.8 graus Celsius. O nível dos oceanos subirá entre 1,8 centímetros e 5,9 centímetros; secas, inundações e outros desastres climáticos vão aumentar. “Ban Ki-moon (atual secretário-geral da ONU) aposta que a elevação do nível dos oceanos atingirá dois metros no final deste século”, diz.
Segundo ele, as geleiras andinas já estão em processo acelerado de derretimento. A Patagônia está perdendo 20% do gelo e pode desaparecer em décadas. O Ártico poderá perder todo o gelo até 2030 e a perda de gelo que se verifica também no Himalaia, está afetando os principais rios da região, dos quais dependem mais de 1,3 milhão de pessoas”.
“Estudos mostram que, independentemente do que se fizer a partir de agora, a temperatura subirá 1,3 grau até 2050. Para evitar que o aumento da temperatura vá além de 2 graus, será preciso reduzir as atuais emissões em 80%, o que é pouco provável neste momento”, avalia.
O quadro sombrio é agravado por outros dois fatores, segundo Novaes: o esgotamento dos recursos e o crescimento desenfreado da produção e do consumo.
“Estamos consumindo no mundo 25% além da capacidade de reposição do planeta nos recursos naturais. A “pegada ecológica da humanidade” (índice que mede o uso de recursos naturais necessários para sustentar uma geração) triplicou desde 1961”, conta.
“Se todo o mundo consumisse hoje na mesma proporção dos norte-americanos, europeus e japoneses, seriam necessários três planetas. Isso mostra ques nossos atuais padrões de consumo são absolutamente incompatíveis com os padrões de produção do planeta”, afirma.
Washington Novaes diz que o homem deteriorou os ecossistemas naturais a um ritmo nunca visto na história da humanidade e lembra que quase um terço das espécies conhecidas se extinguiu em três décadas. Diante disso o cenário para a espécie humana é “assustador”.
“Segundo a ONU, em meio século, a exigência humana sobre a natureza será duas vezes superior à capacidade de produção da biosfera (quantidade de área biologicamente produtiva - zona de cultivo, pasto, floresta e pesca – disponível para atender às necessidades humanas). É muito provável que cheguemos à exaustão dos ativos ecológicos e a consequencia será o colapso do ecossistema em larga escala”, alerta.
SAÍDA – A saída, segundo o ambientalista, será uma mudança radical nos meios de produção e no modo de vida modernos. “Nós temos de reinventar o nosso modo de viver”, acrescenta. Isso significa que os padrões de consumo devem poupar recursos naturais (gastar menos luz, água, reduzir a produção de lixo e poluição), buscar novas matrizes energéticas, trabalhar a questão da biodiversidade (de onde sairão novos alimentos e novos remédios, por exemplo). “Mas acima de tudo, as pessoas, governantes e empresas devem entender que Meio Ambiente é a base de tudo e, por conta disso, deve ser prioridade na vida de qualquer um”.
Ele finaliza com o alerta de Ban Ki-monn. “Temos menos de uma década para encontrar soluções. Se não o fizermos enfrentaremos uma tragédia global”.
FÓRUM – O Fórum Regional Ambiental prossegue na terça-feira (22/06) com dois assuntos: Tratamento de Efluentes Líquidos – com Renato Rosseto, da Sanasa – a partir das 9h30. No período da tarde – a partir das 14h o tema será Transposição do Rio São Francisco, com Rubens Siqueira, da Pastoral da Terra. Os eventos são abertos ao público. O acesso ao plenário se dá pela Av. Eng. Roberto Mange, 66, no bairro da Ponte Preta.
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal
Foto: A.C. Oliveira/CMC
