Auditoria conclui que contratos da Sanasa e IMA são legais
Auditoria realizada pela Prefeitura de Campinas na Sanasa e IMA (Informática de Municípios Associados) concluiu não haver irregularidades nas licitações vencidas pelas prestadoras de serviços Infratec, Pluriserv e Lotus. Segundo a secretário de Assuntos Jurídicos, Carlos Henrique Pinto, a comissão que investigou os contratos realizados desde 1994, formada por servidores de carreira da Prefeitura e das duas empresas públicas, não apontou nenhum ilícito nos contratos em vigor e nos anteriores no que tange aos aspectos formais, de procedimento e jurídicos. A Prefeitura de Campinas é a acionista majoritária da Sanasa e da IMA.
O relatório da auditoria foi entregue nesta terça-feira (16) ao presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga as denúncias do Ministério Público sobre supostas fraudes nas licitações e envolvimento de agentes públicos e políticos. A entrega do documento aconteceu diante da Imprensa, que tem dado ampla cobertura das denúncias do MP e das ações da CPI.
De acordo com informações do secretário, a auditoria apontou que o processo licitatório para contratação das empresas foi regular; os preços pela prestação de serviços estão dentro da média do mercado e foram apurados junto ao sindicato da categoria de trabalhadores e a outras empresas públicas e privadas; finalmente, a execução do serviço está sendo prestada eficientemente, como foi comprovado por diligências nos locais de trabalho.Apesar disto, o representante da Prefeitura sugeriu que os contratos não sejam renovados e ocorram novas licitações, o que fora antecipado pelos presidentes das autarquias em depoimentos à CPI. A Lótus faz leitura e corte de água; a Infratec realiza serviço de segurança armada e a Pluriserv, de portaria.
Henrique Pinto reafirmou a informação,
dada pelas sindicâncias da Sanasa e da IMA, que não existe
envolvimento de agentes públicos em irregularidades e ressaltou
que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) aprovou as contas das
empresas de 2008. Concluiu, então, que se houve crime na ação
dos acusados pelo MP - presos preventivamente por formação de
quadrilha e já foram postos em liberdade pela Justiça para
responderem ao processo -, isto aconteceu “extra-muros”, ou
seja, sem o conhecimento das empresas públicas, o que as tornam
vítimas, caso houve combinação dos concorrentes. O secretário
citou o artigo 90 da Lei 8.666, que reza ser crime: “frustrar
ou fraudar, mediante ajuste, combinação ou qualquer outro
expediente, o caráter competitivo do procedimento licitatório,
com o intuito de obter, para si ou para outrem, vantagem
decorrente da adjudicação do objeto da licitação. A pena para
este crime é de 2 a 4 anos de detenção e multa.
O relatório da Prefeitura será incorporado aos documentos que a CPI analisa. Para Benassi, o material dará mais instrumentos para a elaborarão do relatório. Juntamente com os outros documentos apurados pela Comissão e o resultado das oitivas, que ainda não terminaram, os membros da CPI poderão aprovar um parecer e o Legislativo dar uma resposta convincente à sociedade campineira, maior interessada na apuração das denúncias.
Oitiva
A CPI convocou o ex-presidente da Sanasa, Luiz Augusto Castrillon de Aquino, e o ex-diretor financeiro, Marcelo Quartim Barbosa de Figueira, para dar esclarecimentos nesta quinta-feira (18). Mas, devido a uma indisponbilidade de agenda de Aquino, a reunião pode ser adiada para segunda-feira. A data precisa ser confirmada pelo depoente. Figueira, que reside na Capital, ainda não se manifestou sobre a convocação.
Sobre o caso
Promotores do Grupo de Atenção Especial sobre o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público denunciaram em setembro um esquema de fraudes em licitações de governos estaduais, prefeituras e empresas públicas para contratação de empresas de prestadores de serviços. Este esquema seria coordenado por uma quadrilha especializada em fraudes, encabeçada por JoséCarlos Cepera, proprietário e suposto administrador oculto de seis empresas, que estão em nome de laranjas, entre elas Infratec, Pluriserv e Lótus, contratadas pela Sanasa e IMA. As empresas em nome de laranjasvenceram centenas de licitações municipais e estaduais nos últimos anos, alcançando cifras milionárias em decorrência dos contratos públicos celebrados que atingem o valor de R$ 615 milhões. As empresas têm contratos, inclusive, com o Ministério Público, Tribunal de Justiça, Sabesp, Prodesp, Governo do Estado de Sâo Paulo e Tocantis, entre outros. Oito pessoas foram presas preventivamente. Outros dois envolvidos são procurados. Cepera e os outros presos já respondem pelas acusações em liberdade.
A Câmara
Municipal de Campinas abriu uma CPI, em meados de setembro, para
investigar as denúncias que envolviam as empresas da cidade. Em
relatório do Gaeco enviado à Câmara, cujo diversos órgãos de
Imprensa também tiveram acesso, não há denúncia formal contra
Sanasa e a IMA. Mas a Comissão solicitou documentações às
empresas, que fizeram sindicâncias internas e a Prefeitura,
auditoria, por ser a maior acionista de ambas. Nada de irregular nos
contratos foi encontrado. Os presidentes das autarquias foram ouvidos
e confirmaram os resultados das sindicâncias. A CPI convocou o
ex-presidente da Sanasa, que ainda será ouvido.
O Gaeco afirmou à Imprensa que realiza uma investigação especial sobre a Sanasa. A CPI solicitou informações. Mas o MP informou que as investigações correm sob sigilo. A CPI tem prazo de 90 dias para concluir suas investigações e aprovar um relatório. A Comissão é formada pelos vereadores Sérgio Benassi (PCdoB) -presidente, Sebastião dos Santos (PMDB) - relator) Jorge Schineider (PTB), Artur Orsi (PSDB), Jairson Canário (PT) , Vicente de Carvalho (PV) e Professor Alberto (DEM).
Texto: Assessoria de Imprensa do Vereador Sérgio Benassi
Fotos: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
