Especialistas condenam a eutanásia como medida de combate a Leishmaniose
Em reunião na tarde desta terça-feira (10/08) na Câmara Municipal de Campinas, especialistas e defensores dos animais criticaram as políticas públicas de combate à Leishmaniose, onde a eutanásia de cães infectados acontece após o exame de sorologia. Na cidade são 4 casos positivos da doença em cães, e nenhum caso em humanos. A Leishmaniose está presente em 21 estados brasileiros e nos últimos anos foi registrada uma média anual de 3.357 casos humanos e 236 óbitos. No Estado de São Paulo, está presente em vários municípios.
O
imunologista especializado em Leishmaniose da Universidade de São
Paulo (USP), André Luis S. da Fonseca, criticou a política do
Ministério da Saúde que preconiza a eutanásia em cães para evitar
que a doença seja transmitida aos seres humanos. “Cidades como
Andradina e Araçatuba sacrificaram centenas de animais e nem por
isso a escala da doença diminuiu”, ponderou. Fonseca defende a
liberação da vacina para o tratamento de cães, além de uma
política de controle por parte dos municípios, da população
canina das cidades. “A coleira que é utilizada hoje não é
suficiente para controlar a doença, pois ela não é um tratamento,
apenas inibe o mosquito”, lembrou.
A eutanásia é indicada porque não há cura para os cães, que se tornam reservatório do parasita causador da doença. A transmissão aos humanos se dá quando a mosca pica um cão infectado e depois o homem. A leishmaniose tem tratamento em humanos, mas pode ficar incubada até por anos e surgir se a pessoa tiver uma queda da imunidade. De maneira geral, fica incubada por quatro a seis semanas. Os sintomas iniciais são inespecíficos: começam com febre e mal-estar e podem evoluir para comprometimento de órgãos como baço e fígado.
Técnicos
da Coordenadoria e Vigilância em Saúde (Covisa) e do Centro de
Controle de Zoonozes (CCZ) falaram das medidas que têm sido tomadas
para evitar a propagação da doença, que hoje está controlada em
Campinas. O CCZ promove a capacitação de veterinários, em parceria
com o Conselho de Medicina Veterinária, para a identificação dos
casos e notificação compulsória às autoridades de saúde, além
de técnicos da Covisa que realizam visitas nas áreas onde foram
detectados focos da doenças.
O coordenador do CCZ, Douglas Presotto afirmou que a doença é complexa e o controle vetorial é um desafio. “O tratamento em cães é inviável, muito caro. Por isso, os próprios donos entregam os animais para a eutanásia”, comenta o veterinário.
A Leishmaniose é transmitida por uma mosca da espécie Lutzomyia, popularmente conhecida como mosquito-palha. Existem dois tipos de leishmaniose, a Tegumentar, que atinge a pele e acarreta menos riscos e a Visceral, considerada um grave problema de saúde pública, e é doença de notificação compulsória.
Em Campinas, o primeiro foco com caso autóctone da doença foi registrado em novembro passado. Após esta ocorrência, houve registro de um outro foco na Vila Costa e Silva, onde não pode ser confirmada autoctonia porque o caso referia-se a um cão errante de origem desconhecida. Casos autóctones também foram verificados em um condomínio de Sousas.
Frente a esta situação epidemiológica, Campinas entrou para o grupo de cidades com transmissão canina – com casos autóctones e importados - sem transmissão humana.
O presidente da subcomissão que realizou o debate, vereador Francisco Sellin (PDT) avaliou o encontro de forma positiva, apesar dos contrapontos de vários segmentos. “Acreditamos que o mais importante é a informação que é levada á população em debates como este com esclarecimentos sobre a doença”, enfatizou.
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Muncipal de Campinas
Fotos: A.C. Oliveira/CMC
