GM e PM estão entre os principais agressores de gays
Contratados para garantir a segurança e a integridade da população, a Guarda Municipal e a Polícia Militar figuram no ranking dos maiores agressores contra a população de Lésbicas, Gays, Travestis, Transexuais e Bissexuais (LGTTB), em Campinas e na região.
Os dados constam no Mapa da Violência e Discriminação LGTTB, divulgado na tarde desta quarta-feira (16/06), em audiência pública na Câmara Municipal, pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social, da Prefeitura de Campinas. O evento foi promovido pelo vereador Thiago Ferrari (PMDB).
O mapeamento foi realizado no período de janeiro de 2005 e maio de 2010 e contabilizou um total de 290 casos de agressões – sendo que quatro delas resultaram em morte. Do total de agressões, 51 delas foram cometidas por policiais militares e guardas municipais, contra 44 do que o estudo resolveu chamar de “passante” - pessoa que por um acaso se encontrou com um gay ou uma prostituta na rua e que por um motivo qualquer decidiu partir para a agressão.
Os outros casos, aponta o estudo, foram registrados no ambiente de trabalho – na maioria dos casos praticado pelo chefe -, por funcionários de estabelecimentos comerciais, órgãos públicos e seguranças de eventos. O principal alvo das agressões são gays com 145 casos, seguido dos travestis com 79 denúncias e logo em seguida estão as lésbicas com 33 registros.
Em sua maioria, as vítimas são são prostitutas, funcionários públicos e estudantes. Os números apontam que foram 127 agressões verbais, 55 físicas contra 22 ameaças. A maior parte dos crimes aconteceram na região central, Taquaral e nos distritos de Barão Geraldo e Sousas. Sendo que as vítimas foram agredidas nas ruas, dentro de estabelecimentos comerciais e em suas casas.
Os meses de fevereiro, março e junho são os que mais se registraram casos. Deste total de denúncias, 166 foram notificadas ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social, Polícia Civil e a Justiça.
“A cada dois dias um cidadão LGBT é assassinado no Brasil”, afirmou o diretor da Secretaria Estadual de Justiça, Dimitri Sales.
“O mais grave é que a sociedade está acostumada a tratar essa violência como se fosse algo natural quando não é”, acrescentou Sales.
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
Fotos: A.C.Oliveira/CMC
