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  • 2010
  • Músicos se mobilizam contra excessos do Tolerância Zero

Músicos se mobilizam contra excessos do Tolerância Zero

Grupo diz que operação deflagrada pela Prefeitura também provoca desemprego.
Músicos se mobilizam contra excessos do Tolerância Zero

Vereadores em encontro com músicos

Músicos de Campinas iniciaram nesta quinta-feira (11/02) na Câmara Municipal, um movimento para coibir o que consideram excessos da Operação Tolerância Zero – a ação deflagrada em meados do ano passado pela Prefeitura e que fechou bares e restaurantes em situação irregular. Um grupo de 35 músicos se reuniu no Plenarinho com os vereadores Valdir Terrazan (PSDB) e Vicente Carvalho (PV) e pediu a adoção de uma legislação de proteção ao setor.

Os músicos questionaram os critérios adotados pela Administração para decretar a interdição de estabelecimentos e criticaram a forma como os empresários, trabalhadores e clientes são tratados em cada uma dessas operações. Os músicos afirmam ainda que o Tolerância Zero está provocando o fechamento de postos de trabalho. Segundo a maioria dos profissionais presentes no encontro, o número de apresentações caiu à metade nos últimos meses, já que muitas casas têm sido fechadas e as que se mantém abertas, estão deixando de contratar. Não há dados oficiais sobre o número de músicos na cidade, mas na comunidade Músicos de Campinas existem perto de 600 cadastrados.

Numa ação do “Tolerância”, são mobilizados para a vistoria de um estabelecimento, técnicos de vários departamentos da Prefeitura – como a Vigilância Sanitária e Departamento de Urbanismo ou Setec, por exemplo - além de soldados da PM e Polícia Civil, Guardas Municipais e Bombeiros.

“Eles entram no bar como se estivessem procurando um criminoso perigosíssimo. Vasculham tudo. Entram na cozinha, fotografam o palco; assustam funcionários e amedrontam clientes”, denuncia o músico Beto Sanches da República du Som. Outro músico contou ter sido submetido a constrangimentos numa dessas operações. “Uma noite a gente estava tocando num bar no Cambuí e quando o grupo de vistoria chegou, a gente teve de recolher os instrumento e nos trancar no banheiro. Ficamos lá um tempão, até que fossem embora”, relatou o músico Carlos Bertoldo.

musicos1“Na verdade, o problema (de irregularidades nos bares) vem sendo empurrado com a barriga há anos e agora a Prefeitura quer tratar tudo a ferro e a fogo”, disse o vereador Terrazan. “O Tolerância surgiu para tratar de um problema social. Não é caso de polícia”, acrescentou. “Nós não precisamos de xerifes em Campinas. O que queremos é uma cidade organizada, com planejamento”, argumentou o vereador.

Os músicos decidiram se organizar. Preparam um abaixo-assinado a ser encaminhado ao Secretário de Cultura e de Assuntos Jurídicos e disseram apoiar um requerimento de autoria de Vicente Carvalho aprovado na Câmara na reunião de quarta-feira passada (10/02) em que pedem informações sobre a política que o Executivo tem para o setor.

Além disso, vão abrir uma comunidade no Orkut – Organização dos Músicos de Campinas – onde pretendem fazer uma espécie de censo da categoria. Vão descobrir quantos são; quais os problemas mais recorrentes e a partir daí, pensar na construção de um projeto de lei específico. O projeto, dizem, deve disciplinar também o funcionamento dos bares para que o impacto na vizinhança seja o menor possível.

Segundo o empresário musical, Rogério Gonçalves, o encontro na Câmara deve marcar o início de uma mobilização. “O Tolerância Zero afetou a gente diretamente, tendo em vista que os músicos trabalham nos bares. Já perdemos muito trabalho e estamos ganhando bem menos nos últimos dois ou três meses por conta dos bares fechados. O que queremos é iniciar um processo para a solução do problema”, conclui.


Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas

Foto: A.C. Oliveira/CMC

Publicada em 11/02/2010 17h50