Músicos se mobilizam contra excessos do Tolerância Zero
Músicos de Campinas iniciaram nesta quinta-feira (11/02) na Câmara Municipal, um movimento para coibir o que consideram excessos da Operação Tolerância Zero – a ação deflagrada em meados do ano passado pela Prefeitura e que fechou bares e restaurantes em situação irregular. Um grupo de 35 músicos se reuniu no Plenarinho com os vereadores Valdir Terrazan (PSDB) e Vicente Carvalho (PV) e pediu a adoção de uma legislação de proteção ao setor.
Os músicos questionaram os critérios adotados pela Administração para decretar a interdição de estabelecimentos e criticaram a forma como os empresários, trabalhadores e clientes são tratados em cada uma dessas operações. Os músicos afirmam ainda que o Tolerância Zero está provocando o fechamento de postos de trabalho. Segundo a maioria dos profissionais presentes no encontro, o número de apresentações caiu à metade nos últimos meses, já que muitas casas têm sido fechadas e as que se mantém abertas, estão deixando de contratar. Não há dados oficiais sobre o número de músicos na cidade, mas na comunidade Músicos de Campinas existem perto de 600 cadastrados.
Numa ação do “Tolerância”, são mobilizados para a vistoria de um estabelecimento, técnicos de vários departamentos da Prefeitura – como a Vigilância Sanitária e Departamento de Urbanismo ou Setec, por exemplo - além de soldados da PM e Polícia Civil, Guardas Municipais e Bombeiros.
“Eles entram no bar como se estivessem procurando um criminoso perigosíssimo. Vasculham tudo. Entram na cozinha, fotografam o palco; assustam funcionários e amedrontam clientes”, denuncia o músico Beto Sanches da República du Som. Outro músico contou ter sido submetido a constrangimentos numa dessas operações. “Uma noite a gente estava tocando num bar no Cambuí e quando o grupo de vistoria chegou, a gente teve de recolher os instrumento e nos trancar no banheiro. Ficamos lá um tempão, até que fossem embora”, relatou o músico Carlos Bertoldo.
“Na
verdade, o problema (de irregularidades nos bares) vem sendo
empurrado com a barriga há anos e agora a Prefeitura quer tratar
tudo a ferro e a fogo”, disse o vereador Terrazan. “O Tolerância
surgiu para tratar de um problema social. Não é caso de polícia”,
acrescentou. “Nós não precisamos de xerifes em Campinas. O que
queremos é uma cidade organizada, com planejamento”, argumentou o
vereador.
Os músicos decidiram se organizar. Preparam um abaixo-assinado a ser encaminhado ao Secretário de Cultura e de Assuntos Jurídicos e disseram apoiar um requerimento de autoria de Vicente Carvalho aprovado na Câmara na reunião de quarta-feira passada (10/02) em que pedem informações sobre a política que o Executivo tem para o setor.
Além disso, vão abrir uma comunidade no Orkut – Organização dos Músicos de Campinas – onde pretendem fazer uma espécie de censo da categoria. Vão descobrir quantos são; quais os problemas mais recorrentes e a partir daí, pensar na construção de um projeto de lei específico. O projeto, dizem, deve disciplinar também o funcionamento dos bares para que o impacto na vizinhança seja o menor possível.
Segundo o empresário musical, Rogério Gonçalves, o encontro na Câmara deve marcar o início de uma mobilização. “O Tolerância Zero afetou a gente diretamente, tendo em vista que os músicos trabalham nos bares. Já perdemos muito trabalho e estamos ganhando bem menos nos últimos dois ou três meses por conta dos bares fechados. O que queremos é iniciar um processo para a solução do problema”, conclui.
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
Foto: A.C. Oliveira/CMC
