Sessões da Câmara terão tradução em Libras a partir de 2ª
O presidente da Câmara, Aurélio Cláudio (PDT), diz que este é um projeto pessoal antigo, mas que só agora conseguiu concretizar. “Entidades que trabalham com esse tipo de deficiência, e várias outras pessoas, procuraram a Câmara com insistência nos últimos anos, dizendo que gostariam de acompanhar as sessões, mas estavam impossibilitadas porque não havia essa tradução em libras”, disse o presidente.
Não há número oficiais de deficientes auditivos em Campinas, mas de acordo com o site Portal Libras cerca de 30 milhões de brasileiros – ou seja, perto de 15% da população brasileria - são portadores de algum tipo de deficiência, entre elas a surdez.
“O mais interessante é que essas pessoas com necessidades especiais, que até então não participavam dos trabalhos do Legislativo, agora poderão fazer críticas e sugestões aos nossos trabalhos”, acrescentou Aurélio.
Durante as sessões, Maurício Gut (ao lado) permanecerá no
estúdio da TV Câmara onde fará a tradução simultânea. Sua
imagem ficará exposta em um dos cantos do vídeo. Gut conta que
apesar de sua experiência, ele teve que se especializar na linguagem
particular usada nas sessões e, de uma maneira geral na política.
“Alguns termos como Executivo, Dr. Hélio - (referindo-se ao Prefeito Hélio de Oliveira Santos) ou mesmo de moções e outras expressões usadas nas sessões são bastante particulares e, por conta disso, tiver de aprender alguns termos novos. Também assisti alguns trabalhos do intérprete do presidente Luís Inácio Lula da Silva para ver como ele tratava os termos mais usados pelso políticos”, contou.
Para assumir a vaga na Câmara, Gut teve que preencher
alguns requisitos, como ser um intérprete reconhecido pelo
Ministério da Educação e Cultura (MEC). Além disso, foi submetido
a testes cuja banca examinadora era formada por surdos. Ele
acompanha a sessão e traduzia para a banca.
"A Câmara de Campinas realmente está promovendo a acessibilidade. Os surdos tem uma linguagem própria, com regras específicas. As vezes uma frase inteira é dita por meio de um sinal. O português é a segunda língua deles e não contrário”, afirmou o especialista.
Apesar de ser um direito dos deficientes, a Libras só passou a ser reconhecida no Brasil como uma linguagem em 2002 e só regulamentada em 2005. “Nos Estados Unidos, por exemplo, ela existe como linguagem reconhecida formalmente desde 1960”, afirmou Gut.
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal
Foto: A.C. Oliveira/CMC
