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Transposição no S. Francisco vai gerar intervenção no rio Tocantins

Transposição no S. Francisco vai gerar intervenção no rio Tocantins

Ruben Siqueira, da Pastoral da Terra

Coordenador da Pastoral da Terra, o sociólogo Ruben Siqueira, disse nesta terça-feira (22/06) na Câmara Municipal de Campinas, que o projeto de Transposição do Rio São Francisco está baseado em três mentiras. Segundo ele, o projeto não é destinado a atender a população mais pobre da região nordeste como o governo quer fazer crer; também não irá matar a sede de 12 milhões de sedentos como informa a propaganda oficial e, por fim, diz que  que o projeto vai comprometer seriamente a vazão do rio e provocar danos ambientais irreparáveis para toda a região nordeste do País. O governo garante que não.

O sociólogo – que participou do Fórum Ambiental Regional, organizado em parceria da Câmara com o Instituto Jequitibá - disse que a transposição do São Francisco vai servir de pretexto para uma intervenção de proporções semelhantes também no Rio Tocantins. “Eu tive acesso ao projeto que prevê uma transposição do Tocantis”, disse. Segundo ele, essa nova intervenção será necessária justamente para reparar os problemas de abastecimento que surgirão no São Francisco.

Diz o coordenador da Pastoral que a publicidade do governo “começa a mentir”, quando diz que o projeto vai “atender ao povo pobre” do Nordeste. “Do total da água, 26% vão para o setor industrial e urbano e apenas 4% da água será distribuída à população espalhada pela caatinga. Isso significa que não vai levar água a quem precisa”, diz.

“Os canais vão sustentar grandes projetos econômicos. Já há acordos firmados, por exemplo, entre a (empresa) japonesa Itochu e grandes grupos brasileiros, como a Petrobras, Votorantin e Odebrecht para a exploração de negócios ligados a agricultura, como a produção de combustível a partir da cana; plantações de frutas, em especial a uva, para abastecer a crescente indústria do vinho para exportação”, diz. “O sertão central, onde há problemas de abastecimento, não será beneficiado”, garante.

Siqueira diz que o projeto vai provocar danos ambientais severos. Afirma que a transposição vai captar o mínimo de 26 metros cúbicos por segundo do rio, quando a disponibilidade é de 25m3/s. “Não vai resolver o problema das regiões secas e ameaça provocar desertificação nas áreas onde hoje há água em disponibilidade”, conclui.

Para o coordenador da Pastoral, o projeto é “desnecessário”, porque o Nordeste não tem problema de abastecimento de água, mas sim de gerenciamento da água existente. Ele conta que existem 70 mil açudes na região, que guardam 36 milhões de metros cúbicos de água. “Basta apenas criar um sistema de aproveitamento dessa água e distribuí-la de forma equilibrada. Não há porque fazer a transposição, se no Nordeste existem hoje 21 obras hídricas inconclusas e abandonadas”, argumenta

O projeto de transposição das águas do rio São Francisco consiste na transferência de águas do rio para abastecer pequenos rios e açudes da região Nordeste que possuem um déficit hídrico durante o período de estiagem. As obras são prioritárias para o governo no setor de infraestrutura. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o projeto deve custar R$ 2 bilhões, mas a estimativa foi refeita. Hoje estima-se que a obra consumirá R$ 20 bilhões até 2020. “Só de manutenção, vai consumir R$ 93 milhões por ano”, disse Siqueira.

sanasaESGOTO - Muitas empresas não cumprem a lei ambiental e despejam água contaminada por produtos químicos nos rios e nas redes coletoras da cidade. A denuncia foi feita nesta terça-feira pelo gerente de operações de esgoto da Sanasa, Renato Rosseto (foto) , durante Fórum Ambiental Regional. Segundo o gerente, o despejo irregular produz uma série de prejuízos ao sistema. De acordo com Rossetto, esses despejos provocam graves danos aos equipamentos, pois geram corrosão acima dos níveis previstos. Além disso, obrigam a empresa a modificar até mesmo o sistema de tramento, já que a estação foi concebida para tratar de um tipo de efluente e acaba recebendo outro, de características totalmente diferentes //

O gerente de operações disse que até 2012 a Sanasa pretende estar com 100% do esgoto tratado em Campinas. Segundo ele, estão sendo construídas novas redes coletoras, emissários e interceptadores e estações elevatórias, além de mais cinco estações de tratamento: a de Sousas, Boa Vista, Nova América, San Martin e a da Capivari II.


Texto: Assessoria de Imprensa da Cãmara Municipal

Foto: A.C. Oliveira/CMC

Publicada em 22/06/2010 18h16