Violência contra mulher começa cada vez mais cedo
A
violência contra a mulher tem surgido cada vez mais cedo no Brasil.
As agressões físicas, morais, psicológicas que, em geral, ocorriam
dentro do casamento, estão se tornando comuns entre casais de
namorados adolescentes. O alerta foi feito pela professora doutora Cristina Mekitarian em palestra realizada na tarde desta segunda-feira (08/03) na
Câmara, em comemoração do Dia Internacional da Mulher. Segundo ela, não há dados oficiais, mas o número de meninas vítimas
de agressão do namorado são cada vez mais frequentes.
"Nós fazemos um alerta para as entidades que cuidam dos direitos da mulher, que atentem para esse aspecto, já que a violência contra a mulher tem atingido gravemente as adolescentes", diz ela. "Meninas de 16, 17 anos, são vitimas de abuso dos namorados e elas precisam ser orientadas de que isso não pode acontecer. Não devem permitir esse tipo de ação", afirmou.
A psicóloga Milena de Ferrari - que também participou da solenidade na Câmara, aponta várias causas para o fenômeno, mas a principal delas é a ausência de estrutura familiar.
“Dados oficiais mostram que 19% dos adolescentes já relataram episódios de abuso de bebida alcoólica”, disse. “Há registros segundo os quais, crianças começam a beber aos nove anos”, acrescenta ela. A psicóloga explica as razões do problema. “Na maioria das vezes, os pais precisam trabalhar fora e, com isso, a educação das crianças acaba sendo delegada a terceiros, que muitas vezes, não têm afeto pelos menores, nem estão preparados para esta tarefa”, disse. “Sem a estrutura familiar é de se esperar que tenhamos jovens com graves desvios de comportamento”, acrescentou a especialista.
Cristina Mekitarian disse que havia poucos motivos para comemoração no Dia da Mulher no Brasil. De acordo com ela, 15% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência, mas o número está longe de traduzir a realidade. “Para cada caso denunciado, existem outros cinco que não são notificados”, disse. As razões da subnotificação são muitos, de acordo com ela.“Muitas vezes, a própria mulher protege o agressor”, conta a professora. Ela diz que ainda não há consenso entre os estudiosos sobre as razões desse comportamento, mas dá algumas indicações. “A mulher que sofre violência tem o ego depreciado. É atingida na alma, a ponto de perder a sanidade em alguns casos”, diz. Segundo a professora, a Lei Maria da Penha prevê acompanhamento psicológico para a mulher agredida, mas apesar de quase quatro anos da lei, a rede de ajuda praticamente inexiste no País.
A professora lembra que em outros casos, a mulher é convencida pelo agressor a não denunciar; em outros, é reprimida pela família. Por fim, é desestimulada pelas estruturas oficiais, que não dispõem de canais eficientes para receber a denúncia e adotar as medidas necessárias para cada caso”, disse.
Mekitarian disse “que as pessoas devem rechaçar o senso comum, segundo o qual mulher gosta de apanhar, ou que em briga de marido e mulher não se mete a colher”, disse. “Nenhum ser humano gosta de ser maltratado. O que acontece é que o ego dessa mulher está tão depreciado, que ela não consegue reagir”, acrescenta. “Mas a mulher precisa de coragem para denunciar, pois só assim, poderá se transformar numa referência para os filhos e também para outras mulheres”, alertou.
A vereadora Leonice da Paz (PDT) – que teve a iniciativa de reservar a primeira parte da reunião para o tema - criticou a estrutura da policia. “Em Campinas, uma delegacia da mulher atende também crianças e adolescentes. Outra, mais distante do Centro, funciona de 2ª à 6ª feira, somente das 8h às 17h. Além disso, não há atendimentos nos finais de semana”, constata.
“Por isso, precisamos descentralizar o atendimento, em especial na periferia, e de uma delegacia que funcione em período integral”, pediu a vereadora.
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal
Foto: A.C. Oliveira/CMC
