Bambu é apresentado como solução para tratamento de esgoto na área rural
Com o objetivo de criar alternativas para sanar o problema, o Engenheiro civil Adriano Luiz Tonetti da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp apresentou nesta quarta-feira (30/11), a convite do presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara de Campinas, vereador Zé do Gelo, as possíveis formas de tratamento dos esgotos dessas localidades empregando-se tecnologias simplificadas e sustentáveis.
A técnica possibilita a geração de um efluente final com alto padrão de qualidade. Tais tecnologias além de serem aplicáveis na área rural, também poderão ser utilizadas nos bairros isolados, onde a instalação de uma rede pública coletora de esgotos apresenta custo elevado, condomínios, pontos comerciais em rodovias, hotéis e canteiros de obras da construção civil.
Utilizando bambu e côco verde de baixo custo, o especialista demonstrou que há a remoção 75% da matéria orgânica do esgoto. “Muitas fossas estão construídas de forma inadequada e acabam contaminando o corpo hídrico, então é preciso mostrar a população rural que ela tem um problema e apresentar a solução”, comentou.
A problemática do saneamento básico no Brasil pode ser medida pelo número de municípios existentes no país sem qualquer tipo de serviço de esgotamento sanitário. Segundo o IBGE (2008), das 5.507 cidades brasileiras 52,2% estavam nesta situação calamitosa. Os municípios que se encontram em tal conjuntura são considerados pequenos em sua maioria, possuindo uma população inferior a 10.000 habitantes e correspondendo a 48,37% de todas as cidades brasileiras, nos quais 47,09% dos cidadãos vivem na zona rural.
Em todo o Brasil, 18,75% dos habitantes residem na área rural, tal valor em termos absolutos equivale a mais de 31 milhões de pessoas, número superior a toda a população da região Sul (IBGE, 2008).
A maior parte dessas localidades lança seus dejetos in natura nos corpos hídricos ou no solo, comprometendo a qualidade da água utilizada para o abastecimento, irrigação e recreação.
O vereador Zé do Gelo aponta que é preciso que o poder público tenha uma visão ampla para a questão do meio ambiente e que deve ser feito um trabalho com as comunidades rurais e em empreendimentos onde o tratamento de esgoto da Sanasa não chega. “ Hoje vimos como é simples e barato fazer esse projeto e é muito fácil conseguir côco e bambu, fazendo dois bens à natureza, primeiro tratando o esgoto da sua fossa e recolhendo esse material”, disse.
Texto e foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
