Ciesp e cooperativa articulam criação de Pólo Industrial de Reciclagem
A diretoria regional do
Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) e a
Cooperativa Remodela articulam a criação de um sistema que pode
alterar radicalmente o modelo de reaproveitamento do lixo em
Campinas. As entidades apresentaram nesta quinta-feira, na sede do
Ciesp, no Botafogo, o projeto de criação do Pólo Industrial de
Reciclagem.
Pelo projeto, o pólo deverá funcionar no Aterro Sanitário Delta A e vai reunir empresas que, além de fazerem o trabalho de reciclagem do material que for depositado no aterro, também deverão transformar o chamado “lixo antigo” - aquele colocado no aterro há mais de dois anos.
“O lixo será tratado como matéria prima para a transformação em uma infinidade de produtos”, disse o diretor do Conselho de Infraestrutura do Ciesp, José Nunes Filho. “Além disso, o pólo vai contribuir de forma efetiva para a redução da quantidade de lixo existente no aterro, já que o material antigo também será reaproveitado”, acrescentou ele.
A ideia é reunir num espaço único, as empresas que farão a transformação. Haverá, por exemplo, usinas para reciclagem de papel e papelão; madeira, resíduos sólidos, biocombustivel ou biomassa. Essas usinas receberão o material das cooperativas e farão a transformação.
De acordo com o físico Sidney Morelli, presidente da Cooperativa Remodela e secretário-geral das Associações de Cooperativas de Reciclagem de Campinas, o modelo apresenta inúmeras vantagens.
“Só com o “lixo antigo” é possível fazer pelo menos cinco modalidades diferentes de tijolos, que poderiam ser empregados em programas habitacionais oficiais. Além disso, é possível fazer placas de isolamento, de larga utilização pela indústria; areias artificiais, cargas para tintas, giz de cera e vários outros produtos”, diz Morelli.
De quebra, ainda vai retirar o lixo já existente no aterro. “Neste momento em que o Delta está praticamente esgotado e que se pensa em elevar o nível em pelo menos cinco metros, o Pólo se torna ainda mais necessário”, diz ele.
Morelli lembra que o sistema vai produzir outros efeitos benéficos. “Nada menos que 33 bilhões de toneladas de plástico são encaminhadas para o lixo todos os anos. E aí temos um segundo problema. Sem a reciclagem, a indústria se vê obrigada a extrair mais matéria bruta, como petróleo, por exemplo, para a produção de novas peças de plástico”, diz.
Segundo ele, o Pólo vai estimular a criação de cooperativas, reduzir o extrativismo, gerar novos postos de trabalho, proporcionar a produção de insumos e gerar tributos.
O diretor de Meio Ambiente
do Ciesp, Ricardo Ribeiro, diz que não há impedimento legal para a
implantação do modelo. Segundo ele, uma legislação municipal da
primeira metade dos anos 90 já previa essa possibilidade. “Nossa
ideia é que possa funcionar como uma concessão”, disse. “Além
disso, precisamos buscar alternativas para solucionar os passivos
ambientais dos antigos , como os “lixões” da Pirelli e Santa
Bárbara”, concluiu.
O vereador Luis Yabiku (PDT), que representou a Câmara no lançamento do projeto, disse que a Câmara vai trabalhar para a consolidação do projeto. “Se for preciso atualizar, aprimorar a atual legislação, ou fazer uma nova legislação, sem dúvida nenhuma que a Câmara vai ajudar”, disse.
Texto e Foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
