Com 29 votos, Câmara cassa prefeito Demétrio Vilagra
Votaram a favor do prefeito, os três vereadores que
compõem a bancada do PT – Jaírson Canário, Josias Lech e Carlos
Signorelli e o vereador do PcdoB, Sérgio Benassi. Este é o segundo
prefeito cassado em Campinas este ano. Em agosto, por negligência e
omissão, a Câmara destituiu o então prefeito Hélio de Oliveira
Santos (PDT).
O presidente da Câmara, Pedro Serafim (PDT) assume a prefeitura e deverá marcar novas eleições. O vereador Thiago Ferrari (PTB), assume a Câmara.
“Mais uma vez, a Câmara mostrou que está fazendo o seu papel. Os vereadores estão de parabéns. Comissão Processante está de parabéns. O que engrandece a Câmara, no entanto, não é o resultado, mas a consciência de ter feito seu trabalho”, afirmou o presidente da Câmara.
A sessão
que cassou Demétrio começou às 9 horas da manhã de terça-feira
(20/12). Foram com sumidas cerca de 33 horas apenas com a leitura
ininterrupta do processo, de 1,4 mil páginas. Para realizar esse
trabalho, os vereadores se revezaram ao longo de todo o tempo. Ao
final da leitura, 11 vereadores falaram contra e a favor do prefeito.
Em seguida, o próprio Demétrio foi à tribuna fazer a defesa. Ele negou envolvimento em irregularidades e pediu um voto de confiança dos vereadores. Em seguida, seus dois advogados utilizaram a tribuna.
Os vereadores, no entanto, não se convenceram e decidiram-se pela cassação. Ao final da sessão, o Pedro Serafim disse que vai encaminhar o resultado da decisão da plenário ao juiz eleitoral para que este defina sobre as eleições.
A CP investigou a responsabilidade de Demétrio em um suposto esquema de corrupção implantado na Sanasa, denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPE). Os integrantes da comissão avaliaram se o prefeito teve algum tipo de participação no esquema denunciado ou se deixou de combater as irregularidades nas vezes em que assumiu o cargo e concluíram pela procedência da denúncia.
A acusação, feita pelo vereador Valdir Terrazan (PSDB) apontou três denúncias contra Demétrio – fraudes em contratos da Sanasa e outra duas na Ceasa: irregularidades em licitações para fornecimento de merenda escolar e nepotismo. No entanto, uma ordem judicial autorizou que a investigação fosse restrita apenas à Sanasa.
Na segunda quinzena de maio deste ano, numa operação desencadeado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) foram expedidos 20 mandados e prisão, entre eles, contra o então vice-prefeito Demétrio Vilagra e dois secretários municipais, Carlos Henrique Pinto (Segurança Pública) e Francisco de Lagos (Comunicações), além de diretores e ex-diretores da Sanasa.
Formada pelos vereadores Rafa Zimbaldi (PP), Zé do Gelo (PV) e Sebá Torres (PV), a CP foi aprovada na Câmara no dia 24 de agosto. Acabou suspensa pela Justiça no dia seguinte, mas foi restabelecida no dia 17 de outubro.
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
