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CPI da Saúde: Celso Pierro acumula déficit mensal de R$ 2 mi e pede ajuda

06/10/11
CPI da Saúde: Celso Pierro acumula déficit mensal de R$ 2 mi e pede ajuda

Antonio Celso (dir.) em depoimento à CPI

O Hospital e Maternidade Celso Pierro corre o risco de ser obrigado a reduzir o atendimento a partir do ano que vem, numa tentativa de evitar a explosão do déficit operacional, que hoje chega a R$ 2 milhões por mês.

O alerta foi feito nesta quinta-feira (06/10) pelo superintendente do hospital, Antonio Celso de Moraes em depoimento à CPI da Saúde da Câmara Municipal de Campinas. “Estamos com a luz amarela acesa. Com o déficit se acumulando da forma como está, não digo que poderemos parar de atender pacientes do SUS, mas com certeza, teremos de reduzir o número de atendimentos”, afirmou ele.

Moraes contou aos vereadores da comissão que, hoje, o hospital precisaria receber pelo menos R$ 1,5 milhão a mais do recebe. “No ano que vem, quando terminarmos a reforma e pudermos atender em plena capacidade, vamos precisar de R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões a mais”, acrescentou ele. Ligado à PUC- Campinas, o hospital realiza 41 mil atendimentos por mês, entre ambulatório e internações.

“A Saúde tem um orçamento de aproximadamente R$ 800 milhões, será que a PUC não merece nem 1% disso?”, perguntou. “Não queremos trabalhar no verde, não. A Universidade, a mantenedora, sabe de sua função filantrópica e que tem de bancar parte dos custos, mas não dá para ficar da forma como está”, acrescentou.

Se depender do Poder Público, os problemas do Celso Pierro não só não serão resolvidos, como poderão se agravar no ano que vem. Também em depoimento nesta quinta-feira à CPI, o diretor do Fundo Municipal de Saúde (FMS), Fábio Fortes de Andrade (foto abaixo), reconheceu que a verba de custeio é insuficiente e praticamente não há dinheiro para investimentos.

Ele contou que do orçamento de R$ 720 milhões de 2010, cerca de R$ 660 milhões foram empenhados e apenas cerca de 45% realizados. Diz que metade do orçamento vai para pagar a folha; 35% é destinado a pagamento de prestadores de serviço, entre 10% e 15% vai para material de consumo e, no máximo, 2% para investimentos.

Para 2012, diz ele, os investimentos serão praticamente zero. “Só vamos terminar o que foi inciado. E só vai começar (alguma obra), se vier dinheiro novo”, diz. “Quando não se tem dinheiro pra (sic) custeio, não se pode pensar em investir”, argumenta. O orçamento 2012 da Saúde é de aproximadamente R$ 844 milhões.

Ele defendeu a autonomia do Fundo, que hoje tem um orçamento, mas não pode executá-lo integralmente. Segundo contou aos vereadores, quem define a liberação dos recursos é a Secretaria de Finanças. “Sem autonomia, o orçamento vira peça de ficção”, resume.

fortesO diretor citou como exemplo do engessamento, o Restos a Pagar da saúde (dívidas contraídas e que devem ser pagas no mesmo exercício). Ele diz que essa dívida chegou a R$ 44 milhões em agosto e “corre-se o risco de bater nos R$ 60 milhões ou R$ 70 milhões no final do ano”, disse. “O dinheiro que eu tenho para pagar fornecedores está em torno de R$ 3 milhões/mês, mas a dívida oscila entre R$ 7 milhões e R$ 8 milhões”, explicou.

Na próxima reunião, marcada para a segunda-feira ( 10/10), serão ouvidos diretores da Santa Casa. A CPI já tomou depoimentos de diretores dos hospital Mário Gatti, Ouro Verde e Maternidade.


Texto e Foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas

Publicada em 6/10/2011 18h05