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  • 2011
  • CPI da Setec: funcionários denunciam Chacon e clínica

CPI da Setec: funcionários denunciam Chacon e clínica

31/05/11
CPI da Setec: funcionários denunciam Chacon e clínica

Audiência da CPI da Setec

Os depoimentos de funcionários da Setec à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na manhã desta terça-feira (31/05) na Câmara de Vereadores de Campinas, foram marcados por denúncias contra o chefe da Divisão Funerária da autarquia, Erivelto Luis Chacon e o próprio funcionamento da empresa pública, responsável pelo serviço funerário na cidade.

Os servidores informaram aos vereadores Petterson Prado (PPS) e Arly de Lara Romêo (PSB), que  Chacon,  recebia dinheiro da Clínica Nossa Senhora da Conceição. Disseram ainda, que Chacon fazia o trabalho de funcionários da clinica ao preencher formulários de serviços funerários executados e em algumas situações repassava esse trabalho a subalternos. Contaram também, que médicos da clínica não cumpriam plantões e, muitas vezes, assinavam laudos sem nem mesmo ver o cadáver. Em outros depoimentos, os servidores relataram que materiais da Setec eram usados em cursos particulares de tanatopraxia (técnica de conservação de cadáveres).

A CPI da Setec foi aberta após denúncias na imprensa de que corpos que passaram pelo necrotério do Cemitério Nossa Senhora Conceição, nos Amarais, estavam sendo utilizados como objetos de estudo em cursos particulares, irregulares, de tanatopraxia, sem que os familiares fossem informados ou tivessem autorizado os procedimentos.

O motorista Naur Rodrigues de Andrade Junior disse que em mais de uma oportunidade transportou dinheiro da Clínica, diretamente para Chacon. “Uma vez foi em espécie. Outras duas vezes, em envelopes. Acho que tinha perto de dois mil reais,porque era um maço de nota de 100. Eu peguei o envelope com a Carla, secretária do Dr. Luiz (Luiz César Almeida, responsável pela Clínica Nossa Senhora da Conceição) e ela pediu para entregar para Chacon”, revelou ele. Outros depoimentos confirmaram esse tipo de transação.

Ele disse que em dias de realização e cursos de tanatopraxia havia muita reclamação de atrasos na liberação dos corpos. “Às vezes demorava até cinco horas”, disse. Nesses dias de cursos, ele contou que os motoristas levavam materiais como máscaras, luvas e ataduras, além de copos de água, café, açúcar. “Não se isso era usado nos cursos ou entregue para os alunos, mas a gente levava isso tudo para o Amarais”, revelou.

Naur colocou em dúvida até mesmo as contrapartidas que supostamente teriam sido exigidas pela Setec para a autorização de realização dos cursos de tanatopraxia. “Eu mesmo não fiz o curso (que seria a contrapartida), apesar de trabalhar na Setec há muitos anos. Se houvesse contrapartida, eu imagino que todos os funcionários deveriam ter feito o curso”, afirma ele.

O assistente de Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), Valdecir Evangelista disse que raramente os médicos fazem plantão. “Eles  aparecem quando são chamados. Ás vezes os laudos são levados para a casa dos médicos, que assinavam sem ver o corpo”, afirmou. Outros depoimentos também confirmaram essa situação.

A agente funerária Maria Conceição de Freitas contou na CPI que jamais foi orientada pelo chefe da Divisão Funerária que deveria informar as famílias sobre o que era a tanatopraxia. Segundo ela, os agentes ofereciam informações superficiais às famílias.

“A gente falava que era uma preparação do corpo. Não falava que era tanatopraxia; até porque nunca ninguém perguntou”, disse. A agente reconheceu que as pessoas podiam até autorizar, mas não tinham ideia sobre o procedimento. Outros agentes disseram que não havia orientação às famílias. “Eu não usava o termo tanatopraxia. Não era orientação nossa explicar”, disse o agente funerário Dorival Alves Ferreira,

O motorista Valter Luis Davi disse que não fez o curso de tanatopraxia porque não achava justo.

“Não acho justo, porque as pessoas faziam o curso e não explicavam depois para as famílias sobre o procedimento. A gente só falava que era preparação. Se as pessoas soubessem, tenho certeza que ninguém autorizaria”, concluiu.

No dia dois de junho, a CPI vai ouvir a presidente da Setec, Tereza Dóro e no dia oito de junho, os vereadores vão fazer uma acareação entre Tereza Dóro e Chacon.

A CPI decidiu ainda prorrogar a entrega do relatório. Os trabalhos deveriam terminar no dai 13 de junho, mas a data foi transferida para o dia 11 de agosto.


Texto e Foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas

Publicada em 31/05/2011 17h57