CPI da Setec: relatório final aponta cinco irregularidades
O relatório aponta cinco irregularidades no funcionamento do serviço funerário da cidade. Para o relator, a Setec oferecia cursos de forma irregular “já que esta atividade não consta dentre suas atribuições”. A CPI identificou ainda que houve tráfico de influência já que o diretor da Divisão Funerária, Erivelto Luís Chacon assessorava indevidamente a Clínica Nossa Senhora da Conceição – uma prestadora de serviço. O relatório diz que ele auxiliava a empresa no processo licitatório, indicava a realização de cursos, preenchia laudos médicos para a clínica e era remunerado por ela.
A CPI revelou ainda outros problemas: a existência de um almoxarifado ao qual apenas Chacon tinha acesso e o oferecimento de cursos de extensão a pessoas que não possuíam nível superior.
A presidente da autarquia, Tereza Dóro depôs na Comissão. Ela contou que assumiu o cargo em 10 de janeiro e pouco mais de um mês depois, identificou problemas. Disse que quis saber como funcionava o sistema de preparação dos corpos para os funerais, logo depois de ter sido obrigada a pagar R$ 48 mil a médicos legistas, que pertenciam ao quadro de funcionários do governo do Estado e que, portanto, deveriam receber os salários do Estado.
Tereza disse ter aberto sindicância para saber se os cursos eram oferecidos em outros municípios; se havia convênio com instituições médicas para a realização das aulas, quanto se pagava aos professores, quanto se cobrava dos estudantes e se a Setec fornecia o material usado nas aulas, como tesouras, pinças, gazes e outros materiais.
Nesses cursos, que tinham turmas de até 16 alunos - os estudantes aprendiam técnicas de higienização e conservação de cadáveres para serem velados ou transportados. A maior parte dos alunos é de funcionários de funerárias da região, que pagavam R$ 1,9 mil de matrícula. Em um dia de aula, 15 corpos seriam manipulados. Para atender à demanda dos cursos, a liberação dos corpos muitas vezes era retardada.
PROPOSTAS – A CPI sugere à Setec a sistematização dos procedimentos e recomenda a instalação oficial de um serviço de tanatopraxia no órgão. Além disso, propõe a criação de um sistema formal de autorização das famílias sobre o uso do corpo em procedimentos de tanatopraxia. O relatório alerta ainda para a necessidade de contratação de serviço terceirizado de SVO (Serviço de Verificação de Óbito). Os vereadores dizem que é preciso rever a situação de Erivelto Chacon – que ele seja remanejado para outra função e até mesmo exonerado - e a adoção de procedimentos administrativos mais claros para a compra de materiais.
A CPI teve a presidência do vereador Petterson Prado (PPS) e a relatoria de Arly de Lara Romêo. Também participaram dos trabalhos os vereadores Artur Orsi (PSDB), Jaírson Canário (PT), Leonice da Paz (PDT), Sérgio Benassi (PC do B) e Tadeu Marcos (PTB).
Texto e Foto: Assessoria de
Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
