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  • 2011
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Doação de órgãos passa por discussão na família, diz especialista

Doação de órgãos passa por discussão na família, diz especialista

Debate sobre doação de órgãos na CMC

Fazer com que os doadores potenciais se tornem doadores efetivos. Esse é o grande desafio para aqueles que trabalham com a doação de órgãos no Brasil.

A preocupação foi apresentada em debate realizado na Câmara Municipal de Campinas, sob iniciativa do vereador Dário Saadi (DEM), que tratou da doação de orgãos.

Dados apresentados no debate mostram que reduziu o número de doadores em todo o Estado de São Paulo e que Campinas acompanha esses índices. Em todo o Estado são hum mil pacientes aguardando por um fígado, em Campinas 250. A fila para o transplante de rim é de 10.500 e em Campinas 550 pacientes aguardam pelo órgão. Atualmente cerca de 1.260 pessoas dependem da hemodiálise no município.

O chefe do Serviço de Procura de Órgãos da Unicamp Luiz Antonio da Costa Sardinha afirmou, no entanto, que há avanços, pois hoje a espera por uma córnea é de, no máximo, um mês. “É um ganho de toda sociedade”, diz.

O médico apontou que há problemas no convencimento das famílias para doarem os órgãos de seu ente querido que acaba de falecer. “ Este ano tivemos 51% de recusa de doação e isso significa que não estamos conseguindo sensibilizar as famílias, por isso voltando a fazer palestras, treinando os profissionais para as entrevistas familiares e participando de muitas reuniões”, explicou.

O presidente da Associação dos Portadores de Hepatites do Interior (APOHIE), Dalécio Pastor salientou a importância de falar com as famílias e de haver o diálogo em que as pessoas doadoras devem deixar seus familiares cientes sobre isso.

Dr. Sardinha salientou que o serviço está treinando profissionais no Hospital Mário Gatti e Celso Pierro da Puc- Campinas para fazer a entrevista com familiares para saber se é possível captar doadores. “Nós estamos buscando saídas, a administração dos Hospital das Clínicas nos ajuda muito, mas chegou num ponto que a gente não consegue crescer mais, por isso precisamos do apoio de pessoas de outros hospitais de Campinas”, salientou. Diferentemente do que acontecia antigamente com muitas portes por acidentes de trânsito o especialista afirmou que hoje o maior doador é a pessoa acima de 50 anos, vítima de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e, de acordo com o especialista a equipe precisa saber falar com a família que perde o ente com essas características.

A presidente da Associação dos Renais Crônicos (ARC), Teresinha Melo Lemos salientou a importância do paciente que espera por um transplante ter apoio. “Quem pensa que é só o órgão não imagina que ele tem problemas sociais precisando de transporte, cestas básicas e até apoio jurídico quando falta medicamentos na rede pública e até representa esses pacientes para cobrar a entrega de medicamentos de alto custo.”, informou.

O vereador Dário Saadi enfatizou a importância de discutir o tema e informar aos familiares que quer ser doador. “Conheço casos em que a família era contra, mas sabendo que a pessoa que estava falecendo ter dito várias vezes que era doador, autorizou a doação”, afirmou Saadi.

Dr. Sardinha afirmou que a doação começa na conversa familiar e é efetivada quando isso acontece rotineiramente. “A doação tem que ser uma discussão diária. Se não tiver doador não tem o transplante”, afirmou.

A reunião foi acompanhada por representantes de várias entidades.


Texto e foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas


Publicada em 26/09/2011 18h05