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  • 2011
  • Especialistas alertam para a presença de medicamentos em rios da RMC

Especialistas alertam para a presença de medicamentos em rios da RMC

Especialistas alertam para a presença de medicamentos em rios da RMC

Vereador Zé do Gelo (PV)

“Segundo estudos realizados no mundo mais de 160 fármacos já foram encontrados em matrizes ambientais. Para aproximar da nossa realidade, a Região Metropolitana de Campinas (RMC), somente na Bacia do Rio Atibaia já foram detectadas 16 dessas substâncias. Além do mais, os Ribeirões Anhumas e Pinheiros são os que apresentam maior concentração de produtos”. Alertou o consultor ambiental, Marco Fernandes Locatelli, durante palestra sobre o Descarte de Medicamentos Vencidos realizada na última quarta-feira (30/03) pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara de Campinas. De acordo com ele, os remédios mais comuns são antibióticos e hormônios, mas podem ser encontradas uma quantidade significativa de antibióticos, antidepressivos, tranquilizantes e em alguns casos até contraste de raio-x - são líquidos, que aplicados no paciente, facilitam a visualização de partes do corpo que não podem ser examinadas pelo aparelho.

A contaminação é direta em locais que não possuem saneamento básico, desta forma quando o produto é jogado em pias ou vasos sanitários vai em direção às fontes de água. No entanto, algumas substâncias conseguem passar pelas Estações de Tratamento de Esgoto e podem ser encontradas em água potável.

“É um risco para o Meio Ambiente e para a saúde. Essa contaminação acontece nos aquíferos, lençóis freáticos, rios e também no solo, esta última, principalmente, por causa dos lixões. Para se ter uma ideia apenas 12,5% dos municípios brasileiros possuem aterro sanitário”, explicou a farmacêutica do Hospital de Clínicas da Unicamp, Silvia Granja.

Segundo Locatelli, o contato com esses medicamentos pode causar um efeito rápido, por exemplo, levar à morte, o que é chamado de toxicidade aguda. E em alguns casos a exposição contínua e em baixas concentrações - toxicidade crônica - pode levar ao aparecimento de doenças como o câncer.

Em estudos foram detectados que dependendo da substância os peixes, presentes em águas contaminadas, apresentaram falência renal, deficiência cardíaca, diminuição do glicogênio no fígado, má formação fetal, feminilização e alteração na mitocôndria. “Estou realmente assustado com esses dados, é muito preocupante. Precisamos educar as pessoas para que se adquira o hábito de não descartar os remédios de forma incorreta”, disse o vereador Zé do Gelo, presidente da Comissão de Meio Ambiente. O parlamentar é autor de um projeto de lei que prevê a criação de uma Campanha que incentiva o descarte consciente de medicamentos vencidos. A medida tramita pelo Legislativo e aguarda uma segunda votação.

A farmacêutica do HC da Unicamp considerou duas questões fundamentais para a existência do problema. A falta de informação da população sobre o descarte inadequado e a lacuna na legislação para regulamentar postos de coletas e demais medidas para conter o descarte inadequado e seus efeitos. “Segundo pesquisa 92,5% dos consumidores nunca questionaram a forma correta de fazer descarte correto de medicamentos”.

Para o consultor ambiental, uma forma de minimizar a presença desses fármacos é o consumo consciente, ou seja, comprar o que realmente for consumir, criar um tratamento de esgoto que realmente consiga eliminar o fármaco da água e elaborar uma legislação sobre o assunto. “O descarte consciente de remédios é um conceito novo que não existia em décadas anteriores. As pessoas eram orientadas a jogar o medicamento em pias, vasos sanitários e até no lixo, por isso é importante que se crie uma consciência”. Em pesquisa realizada com a população de alguns países,

somente na Suécia as pessoas não jogam seus remédios em pias ou vasos, 43% leva para as farmácias e 3% joga no lixo.

Já Silva Granja, defendeu outras soluções como a adequação das embalagens, a fabricação de medicamentos fracionáveis (vendidos em quantidade exata para o tratamento), uma campanha de conscientização e adequar os recipientes de descarte às formas farmacêuticas dos medicamentos.

Também esteve presente na palestra o coordenador de Tratamento de Resíduos do Departamento de Limpeza Urbana (DLU), Fábio Gonzaga Cardoso. Ele sugeriu que o descarte adequado de medicamentos vencidos e sua regulamentação fizessem parte da Política de Resíduos. “É necessário que o Município trate desse assunto. Essa proposta tem que caminhar para política de resíduos, onde ela se enquadra. Não podemos trabalhar esse assunto separadamente”. E ressaltou: “Temos que pensar em um sistema de coleta, para que funcione”.


Texto: Assessoria do gabinete do vereador.

Foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas.

Publicada em 31/03/2011 15h38