Especialistas alertam para a presença de medicamentos em rios da RMC
A contaminação é direta em locais que não possuem saneamento básico, desta forma quando o produto é jogado em pias ou vasos sanitários vai em direção às fontes de água. No entanto, algumas substâncias conseguem passar pelas Estações de Tratamento de Esgoto e podem ser encontradas em água potável.
“É um risco para o Meio Ambiente e para a saúde. Essa contaminação acontece nos aquíferos, lençóis freáticos, rios e também no solo, esta última, principalmente, por causa dos lixões. Para se ter uma ideia apenas 12,5% dos municípios brasileiros possuem aterro sanitário”, explicou a farmacêutica do Hospital de Clínicas da Unicamp, Silvia Granja.
Segundo Locatelli, o contato com esses medicamentos pode causar um efeito rápido, por exemplo, levar à morte, o que é chamado de toxicidade aguda. E em alguns casos a exposição contínua e em baixas concentrações - toxicidade crônica - pode levar ao aparecimento de doenças como o câncer.
Em estudos foram detectados que dependendo da substância os peixes, presentes em águas contaminadas, apresentaram falência renal, deficiência cardíaca, diminuição do glicogênio no fígado, má formação fetal, feminilização e alteração na mitocôndria. “Estou realmente assustado com esses dados, é muito preocupante. Precisamos educar as pessoas para que se adquira o hábito de não descartar os remédios de forma incorreta”, disse o vereador Zé do Gelo, presidente da Comissão de Meio Ambiente. O parlamentar é autor de um projeto de lei que prevê a criação de uma Campanha que incentiva o descarte consciente de medicamentos vencidos. A medida tramita pelo Legislativo e aguarda uma segunda votação.
A farmacêutica do HC da Unicamp considerou duas questões fundamentais para a existência do problema. A falta de informação da população sobre o descarte inadequado e a lacuna na legislação para regulamentar postos de coletas e demais medidas para conter o descarte inadequado e seus efeitos. “Segundo pesquisa 92,5% dos consumidores nunca questionaram a forma correta de fazer descarte correto de medicamentos”.
Para o consultor ambiental, uma forma de minimizar a presença desses fármacos é o consumo consciente, ou seja, comprar o que realmente for consumir, criar um tratamento de esgoto que realmente consiga eliminar o fármaco da água e elaborar uma legislação sobre o assunto. “O descarte consciente de remédios é um conceito novo que não existia em décadas anteriores. As pessoas eram orientadas a jogar o medicamento em pias, vasos sanitários e até no lixo, por isso é importante que se crie uma consciência”. Em pesquisa realizada com a população de alguns países,
somente na Suécia as pessoas não jogam seus remédios em pias ou vasos, 43% leva para as farmácias e 3% joga no lixo.
Já Silva Granja, defendeu outras soluções como a adequação das embalagens, a fabricação de medicamentos fracionáveis (vendidos em quantidade exata para o tratamento), uma campanha de conscientização e adequar os recipientes de descarte às formas farmacêuticas dos medicamentos.
Também esteve presente na palestra o coordenador de Tratamento de Resíduos do Departamento de Limpeza Urbana (DLU), Fábio Gonzaga Cardoso. Ele sugeriu que o descarte adequado de medicamentos vencidos e sua regulamentação fizessem parte da Política de Resíduos. “É necessário que o Município trate desse assunto. Essa proposta tem que caminhar para política de resíduos, onde ela se enquadra. Não podemos trabalhar esse assunto separadamente”. E ressaltou: “Temos que pensar em um sistema de coleta, para que funcione”.
Texto: Assessoria do gabinete do vereador.
Foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas.
