Profanação: requerimento da Câmara convoca presidente da Setec
A presidente da Setec, Maria Tereza D'Oro deverá ser convocada pela Câmara Municipal de Campinas para explicar as denúncias feitas pelo jornal Correio Popular, segundo as quais, corpos foram utilizados em cursos particulares e supostamente irregulares de tanatopraxia. De acordo com a reportagem, funcionários de funerárias aprendem a dissecar, conservar e preparar cadáveres para os funerais, sem que os familiares fossem informados ou tivessem autorizado os procedimentos. O vereador Tadeu Marcos (PTB) – que trabalhou na Setec entre os anos 1983 e 1988, considerou as denúncias “gravíssimas” e vai pedir a convocação da presidente da autarquia.
Segundo ele, o requerimento de convocação deverá ser votado na reunião da próxima quarta-feira (dia 09/03) e, caso seja aprovado, será marcado um dia para a oitiva. A expectativa é que o depoimento ocorra ainda este mês. Segundo Tadeu, por tratar-se de uma convocação, a presidente não poderá deixar de comparecer.
“Trata-se de uma das coisas mais graves que eu já vi em termos de Administração Pública”, disse o vereador. “Ela (Tereza D'Oro) será convocada e ouvida durante reunião ordinária, para que todos os vereadores possam interpelá-la”, acrescentou.
Segundo o jornal, os corpos que passam pelo necrotério do Cemitério Nossa Senhora Conceição, nos Amarais, têm servido como objetos de estudo em cursos oferecidos por empresas particulares. No curso, que têm turmas de até 16 alunos - os estudantes aprendem técnicas de higienização e conservação de cadáveres para serem velados ou transportados. A maior parte dos alunos é de funcionários de funerárias da região, que pagam R$ 1,9 mil de matrícula. Em um dia de aula, 15 corpos são manipulados. De acordo com a publicação, as famílias assinavam liberação sem saber que davam aval para a utilização dos corpos nesses cursos.
“Foi com absoluto espanto que vi isso (a reportagem) hoje pela manhã”, afirmou Tadeu Marcos. “Nós vamos dar a ela (presidente da Setec) o direito de esclarecer todos os procedimentos e demonstrar com clareza que as denúncias não são verdadeiras. Mas pelo que está escrito no jornal, trata-se de um crime. E um crime grave”, afirmou o vereador. Segundo ele, a Câmara vai analisar todos os documentos e as circunstâncias pelas quais eles foram assinados pelas famílias.
Tadeu Marcos lembra que mesmo no caso de indigentes – que não são reclamados por parentes – a utilização de corpos para uso da medicina exige autorização expressa da Justiça. “A Setec não poderia fazer isso por conta própria, sob hipótese alguma”, concluiu o vereador.
Texto e Foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
