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Carlos Henrique chora; nega propina e diz que só fala de denúncias no MP

16/02/12
Carlos Henrique chora; nega propina e diz que só fala de denúncias no MP

Carlos Henrique (esq.) e Artur Orsi

Num depoimento de quatro horas à CPI da Corrupção da Câmara nesta quinta-feira (16/02), o ex-secretário de Assuntos Jurídicos da Prefeitura, Carlos Henrique Pinto negou de forma categórica que tivesse participado de esquemas de cobrança de propina para a liberação e alvarás de bares e restaurantes.

Garantiu que não sabia de irregularidades na administração e chorou ao comentar o impacto que as denúncias provocaram em sua família. Apesar disso, preferiu permanecer em silêncio quando foi inquirido sobre o esquema de corrupção instalado no núcleo do governo Hélio de Oliveira Santos, como foi denunciado pelo Ministério Público.

“Gostaria de permanecer em sigilo sobre esse assunto”, afirmou ele, ao ser provocado pelo presidente da Comissão, vereador Artur Orsi (PSDB), sobre o que tinha a dizer a respeito das fraudes em contratos na Prefeitura e o envolvimento da ex-primeira dama Rosely Nassim dos Santos.

Carlos Henrique admitiu que sabia da existência de uma fita contendo as denúncias de fraudes em contratos da Sanasa, envolvendo o então presidente da empresa, Luiz Augusto Castrillon de Aquino, mas preferiu não ver o vídeo. “Me disseram que havia essa fita, mas eu não quis ver”, disse ele.

Também disse que só falaria no MP sobre uma suposta interferência de Ricardo Cândia (ex-diretor de Controle Urbano da Prefeitura) na fiscalização de bares e desmentiu o ex-secretário de Urbanismo Hélio Jarreta, acusado de liberar empreendimentos imobiliários irregulares. Em depoimento à CPI, Jarreta disse que consultava o Jurídico sobre os empreendimentos.

“A postura que a gente adotava na secretaria era uma das mais rígidas. Estou muito tranquilo com relação a isso. Não existia consulta formal. Existia reuniões semanais com vários secretários de todas as áreas. eu desconheço esta possibilidade de estar sendo consultado o tempo todo”, disse. Ele também negou envolvimento com os empresários acusados de corrupção.

Carlos Henrique disse ter ficado triste com as denúncias, e com a forma como terminou o governo Hélio. “ Eu senti toda a tristeza que uma pessoa e uma família podem sentir. Foi surpreendente. Jamais esperei que as investigações tivessem este desfecho. Eu não plantei algo que eu pudesse colher este resultado, sobre a minha ótica de consciência. Tenho 2 filhos pequenos. Mesmo errando, tenho todo o direito de me defender. Falo isso pela minha família. Eu levei muito a sério enquanto secretário de Assuntos Jurídicos. Trabalhei 14 horas por dia....”, afirmou ele, que começou a chorar em seguida.

Artur Orsi interveio e sugeriu a suspensão temporária da audiência. Carlos Henrique se retirou do plenário, acompanhado da advogada. O ex-secretário voltou cerca de 10 minutos depois, refeito, e continuou o depoimento.

Para Artur Orsi, o depoimento foi produtivo. “Foi bom, apesar e não ter respondido várias questões importantes”, disse o vereador. “Ele não deu detalhes sobre o tráfico de influência no programa Tolerância Zero, mas o fato de só querer falar na Justiça indica que há irregularidades”, argumentou.

Outro fato que chamou a atenção de Orsi foi a informação de que Carlos Henrique sabia da existência da fita com as denúncias de corrupção, cuja existência sempre foi negada pelo prefeito. “Eu perguntei de uma fita e ele (Carlos Henrique) até me corrigiu. Disse que era um CD”, lembrou.

DENENO – A CPI volta a se reunir nesta sexta-feira, para tomar o depoimento do empresário Washington Deneno – sócio de Ricardo Cândia. O depoimento está previsto para começar às 14 horas, no Plenário da Casa.


Texto e Foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas

Publicada em 16/02/2012 16h10