Respostas contraditórias marcam depoimento de Goretti
O depoimento do promotor de eventos Ivan Goretti de Deus à CPI da Corrupção foi marcado por afirmações contraditórias a respeito da sua relação com o ex-secretário de Segurança Pública Carlos Henrique Pinto. Primeiro, ele não se recordava de algumas coisas, não conhecia as pessoas citadas em conversas telefônicas que foram interceptadas pelos Ministério Público e deixou aberto uma série de questões feitas pelo presidente, o vereador Artur Orsi (PSDB).
Nas ligações Goretti seria procurado por comerciantes preocupados com a operação Tolerância Zero onde ele cita que iria falar com o “chefe” sobre a situação. O “chefe”, de acordo com o relatório do MP, é Carlos Henrique Pinto, que, até então, comandava a operação fecha-bar na cidade.
As ligações realizadas e recebidas no telefone celular de Ivan revelam como ele articulava junto aos donos de estabelecimentos comerciais para a liberação de alvarás. São mais de 200 ligações grampeadas entre os dias 8 e 20 de abril de 2010.
No decorrer no depoimento, o promotor de eventos reconheceu que ajudou alguns donos de bares e depois disse que nunca teve nada a ver com a “Tolerância Zero”.
O momento mais confuso do depoimento é quando Goretti negou conhecer uma pessoa citada em conversa telefônica com ele e, após a intervenção do advogado, ele voltou atrás e afirmou conhecer a pessoa citada. Ele afirmou que o diálogo era para ajudar um bar que estava com problemas, tanto que ele solicitou ajuda ao secretário responsável pelo Tolerância Zero para resolver a situação de um dos bares que havia sido fiscalizado. “Isso demonstra num primeiro momento a contradição dele de que não havia nenhum envolvimento do Carlos Henrique e num outro momento que ele próprio solicitou a ajuda do ex-secretário. Foi um depoimento muito frágil do ponto de vista de se acreditar o que ele afirmou no começo e no final mostrou o contrário”, avalia o presidente da CPI.
Goretti, assim como Carlos Henrique Pinto, disse ainda que é possível que algumas pessoas tenham aproveitado a operação, promovida por várias secretarias da Prefeitura em 2010 e órgãos públicos, para extorquir proprietários de estabelecimentos. “Agora nós vamos avaliar e até chamar pessoas que foram citadas para verificar até onde essa interferência ou intermediação na Prefeitura ocorria”, afirma Orsi.
Texto e foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
