Autismo: Câmara abriga simpósio internacional; cidade vai ganhar centro de referência
Psiquiatra infantil, Maras é diretor do Instituto Yulius – considerado modelo mundial em atenção à saúde mental para crianças e adolescentes. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail paica.br@gmail.com.
Coordenadora da Comissão Científica do Evento, a psiquiatra Sueli Cabral Rathsam diz que o Brasil precisa adotar medidas urgentes para fazer o diagnóstico precoce da patologia. Ele diz que na Alemanha, por exemplo, um país que há muito anos desenvolve política referencial de atendimento, o diagnóstico se dá entre os dois e quatro anos. No Brasil, a precária rede de atendimento só vai identificar o autismo entre os nove e 12 anos.
“Quando se chega a um diagnóstico, a criança já perdeu todo o ciclo de alfabetização”, relata. Estima-se que existam na Região metropolitana de Campinas perto de 50 mil crianças com algum tipo de transtorno mental; destas 1,5% possuem alguma patologia do espectro autista.
A especialista diz ainda que o Brasil não possui qualquer protocolo de atendimento e, justamente por isso, não consegue identificar o problema no devido tempo. “Nós temos mais autistas que pessoas com Síndrome de Down, mas o país, simplesmente, não possui uma política de atendimento”, lamenta. “Hoje, os poucos casos diagnosticados são atendidos em instituições específicas ou em serviços universitários, mas estes, estão fechado há anos para novos casos, porque não têm condições de atender mais gente”, afirma.
ESCOLA - A partir do diagnóstico precoce, diz ela, será possível criar mecanismos de inclusão dessas crianças. Uma das bandeiras é fazer cumprir uma lei sancionada no ano passado, que assegura aos autistas os mesmos direitos de uma pessoa portadora de deficiência. Conhecida como Lei Berenice Piana, a legislação garante desde atendimento preferencial em banco, até o direito de estudar em escola regular.
Atualmente as patologias mentais atingem em média 700 milhões de pessoas no mundo e pelo menos um terço desse público não possuem acompanhamento médico, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
CENTRO DE REFERÊNCIA – A cidade de Campinas vai ganhar o primeiro centro de referência de atendimento integral de pacientes autistas da América Latina. Segundo Sueli Rathsam - que articula a instalação do equipamento na cidade - o Centro vai contar com sistemas de acolhimento, tratamento ambulatorial, funcionará como hospital/dia, terá leitos para internação, além de oferecer oficinas para reabilitação e cursos profissionalizantes para os que atingirem determinado grau de autonomia.
O Centro vai contar com pelo menos 50 profissionais especializados – entre psiquiatras, neurocirurgiões, psicólogos, fonoaudiólogos, psicoterapeutas e profissionais ligados à saúde mental – e atender, em média, 50 crianças por dia, em tempo integral.
Segundo Rathsam, haverá atendimento gratuito. “Hoje, uma escola especializada em atendimento de autistas cobra perto de R$ 3,5 mil por mês”, diz a especialista. “É preciso salientar, além disso, que a escola não oferece serviços ligados à saúde que o Centro vai proporcionar”, acrescenta.
A psiquiatra antecipou que centro será construído numa área de 15 mil metros quadrados doada pela Prefeitura e que está localizada nos limites do Swiss Park, próximo à Escola Bradesco, na região sul da cidade. De acordo com ela, o projeto será financiado pela iniciativa privada - a partir de contribuições já acertadas com empresas nacionais e multinacionais - e linhas de crédito abertas junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O projeto de doação do terreno deverá ser aprovado pela Câmara, mas ela acredita que não deverá encontrar entraves. “Se tudo correr como planejamos, o Centro deverá estar instalado em 1 ano e meio”, estima ela.
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Texto e Foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
