Carros-Fortes: Polícia quer integração da inteligência
Ela também sugeriu que as empresas de transporte de valor mudem seus procedimentos de segurança, pois segundo ela, a polícia só toma conhecimento dos crimes de roubos a carros-fortes após o ocorrido. “Só somos acionados depois que o dinheiro já foi levado, por isso é preciso uma maior integração de comunicação com as empresas para que possamos ter mais eficácia nos trabalhos”. Denise também reforçou que a prioridade da polícia é preservar a vida das vítimas.
As declarações foram dadas na manhã desta quinta-feira (01/08) durante um debate que reuniu autoridades, representantes de empresas de transporte de valor e sindicatos das categorias dos trabalhadores envolvidos para discutir maneiras que coíbam os roubos a carros-fortes - uma modalidade de crime que está se tornando cada vez mais frequente na região.
De acordo com a polícia 15 ocorrências deste tipo foram registradas só neste ano em Campinas e em cidades próximas e, em várias delas, os ladrões sequestraram os familiares dos guardas que trabalham nas empresas transportadoras. O último caso aconteceu nesta quarta-feira (31/07) em Hortolândia., quando os bandidos mantiveram parentes de vigilantes em cativeiro, enquanto a ação se desenrolava. Além da pressão psicológica que esse tipo de ação exerce sobre as famílias dos agentes de segurança, a polícia estima que as quadrilhas tenham roubado pelo menos R$ 10 milhões.
A iniciativa para a realização do debate foi do vereador Marcos Bernardelli (PSDB) que questionou as autoridades presentes sobre a falta de um serviço de inteligência eficaz contra a expansão de crimes desta modalidade. “Há dois anos que estamos vendo roubos a carros-fortes aumentarem cada vez mais, a meu ver as inteligências das polícias e do poder público são burras ou não estão trabalhando como deveriam”, ressaltou.O assessor técnico da secretaria municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública, William Barbanera rebateu a colocação do vereador e garantiu que o poder público está investindo e trabalhando pela segurança da população. “A Guarda Municipal possui equipamentos inteligentes que agilizam a chegada das informações para que a polícia civil possa atuar nos diferentes casos de crimes”, explicou. Segundo ele, as empresas e forças de segurança deveriam trabalham no sentido de ampliar a integração.
O presidente do Sindicato do das Empresas de Transporte de Valor do Estado de São Paulo, Marcos Eduardo Tótoro falou do alto índice de roubos a carros forte que ocorrem exclusivamente na região de Campinas e apresentou a preocupação da categoria em mudar esse cenário. “Precisamos agir pontualmente nesta região, porque na grande São Paulo, por exemplo, a incidência de crimes como este é quase zero. Nós estamos em constante contato com a polícia para trocar informações e buscar caminhos que solucionem esse problema, mas é difícil”, lamenta ele.
O delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Carlos Henrique Fernandes garantiu que a polícia vem fazendo o seu papel, mas que o combate a esse tipo de crime é uma verdadeira “briga de gato e rato”, segundo ele “os roubos a carros-fortes rendem muito dinheiro aos infratores, em nenhum outro crime um assaltante sai com 1 milhão de reais, por isso as quadrilhas aumentam e se modificam a cada dia”, explicou.
O presidente da Câmara, vereador Campos Filho (DEM) finalizou o debate afirmando que o legislativo está à disposição tanto das polícias quanto dos representantes sindicais para promover outros encontros que possibilitem esse tipo de diálogo. “Trocar informação é essencial para que possamos buscar o melhor caminho para o combate a esses crimes, não podemos deixar isso continuar crescendo como está ocorrendo nos últimos tempos”.
Participaram também do debate os vereadores Gilberto Vermelho (PSDB) e Jorge da Farmácia (PSDB), além de representantes das seis principais empresas de segurança e transporte de valores que atuam na região e de representantes de sindicatos de trabalhadores e das empresas.
Texto e Foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
