Catadores querem pagamentos pela coleta seletiva
Mais de 220 integrantes das cooperativas vieram ao debate e reclamaram da falta de atenção que têm na cidade e que não conseguem reciclar mais por que não são dadas condições. Hoje, as cooperativas reciclam uma tonelada por mês e a cidade tem um potencial para chegar a 300 toneladas.
A principal reivindicação é o pagamento pelo serviço de coletar resíduos recicláveis. Hoje, somente a Tecam, empresa contratada pela prefeitura, recebe R$ 540,00 por tonelada para fazer a coleta seletiva nas ruas. Já as cooperativas não recebem nada e sobrevivem apenas da venda do material reciclável. E por conta disso, surgem outras reivindicações: da coleta seletiva chegam muitos rejeitos (resíduos orgânicos, por exemplo) misturados ao material reciclável e os locais são inadequados e sem estrutura. A consequência é que a quantidade de material separado para reciclar é muito pequena, derrubando ainda mais a renda dos cooperados.
O presidente da Acoop (Associação das Cooperativas de Reciclagem de Campinas), José Carlos de Souza, o Zé Pretinho, comentou que o pagamento pela coleta e a concessão de áreas para as cooperativas funcionarem é fundamental. “Algumas cooperativas funcionam em locais alugados pela Prefeitura. Mas com a concessão, a gente pode ir atrás de recursos para as cooperativas”, afirmou.
O representante do Movimento Nacional de Catadores, Armando Octaviano Junior, acredita que a desestruturação das cooperativas tem um claro propósito de desqualificar o trabalho desempenhado por elas e de levar o problema do lixo para a incineração. Isso provocaria grandes danos econômicos para as mais de 600 famílias que vivem da reciclagem na cidade, além dos grandes danos ambientais provocados em toda a cidade. “Está claro que estão preparando a casa para vir com a incineração em Campinas”, acusa Armando.
Pedro Tourinho propôs que o pagamento pela coleta por parte das cooperativas esteja previsto no orçamento da prefeitura de Campinas e para isso pediu o apoio dos demais vereadores que estavam na reunião. Participaram do encontro, além de Tourinho e Ribeiro, os vereadores Carlão do PT, Elias Azevedo (PSB), Jorge da Farmácia (PSDB), Neuza do São João (PSD), Paulo Búfalo (PSOL) e, Tico Costa (PP). Rossini, que também é membro e participou de todas as outras atividades da comissão, justificou ausência por ter outro compromisso.
O presidente da Reciclamp, Valdecir Aparecido Viana, saiu muito satisfeito do encontro devido à grande mobilização da categoria. “Mudamos de postura desde 2010 e as reivindicações agora têm que ser trabalhadas, vai depender de nós”, disse.
A Comissão Especial de Estudos realizou ao todo três debates nos meses de março e abril e fez uma visita à Unidade Recicladora de Materiais. Os vereadores agora pretendem elaborar um relatório que será entregue à Câmara e também à Prefeitura
Texto e Foto: Assessoria do gabinete do vereador Pedro Tourinho
