Na Câmara, especialista alerta sobre plano de incineração de lixo
Bizzo destacou que o CDR – uma tipo de carvão – produzido a partir do lixo doméstico poderá ser espalhado em diversas caldeiras e fornos na região, de forma que não há controle nem fiscalização adequados para que os filtros estejam funcionando corretamente. O uso de filtros é fundamental para evitar que a queima do lixo ou do carvão libere substâncias cancerígenas como o dioxinas e furanos.
“Os incineradores têm vários filtros e metade dos custos de operação estão no processamento desses filtros para tentar assegurar que os gases emitidos tenham pouco impacto ambiental”, comentou o professor. Ele alerta para o risco da queima distribuída, como a prefeitura pretende fazer: “quando você produz o combustível, ele é queimado em diversos pontos, que normalmente não tem nenhum tratamento de limpeza de gases, não tem controle nenhum”.
O vereador Pedro Tourinho comentou que entre o ruim e o pior, o governo Jonas Donizette está optando pelo pior. Médico, ele afirma que as substâncias liberadas na queima do lixo são cancerígenas. “As dioxinas e os furanos estão associados ao aumento da incidência de câncer onde elas estão presentes”.
Reciclagem x incineração - O professor Bizzo afirmou que há uma incompatibilidade no modelo que tenta reunir reciclagem com geração de energia. O problema é que os materiais que geram mais energia (papel e plástico) são também os que são mais aproveitados na reciclagem. “Se você recicla mais, a geração de energia é menor. Mas se você opta por gerar mais energia, a reciclagem será menor”, disse.
Tourinho lembrou que a prefeitura pretende deixar o mercado definir se vai reciclar mais, ou se dará mais ênfase à produção de combustível, de acordo com fala do diretor do Departamento de Limpeza Urbana, Alexandre Gonçalves, há duas semanas no programa Câmara em Debate. “Se for tratar somente na lógica do mercado, vai fazer o que for mais interessante, vai incinerar mais lixo. Não é a forma clássica de incineração, mas é incineração”.
O represestante da Prefeitura no debate, o engenheiro da Secretaria de Serviços Públicos, Fernando Carbonari, disse que a administração pretende reciclar o máximo possível e que não está definido qual será o modelo a ser adotado. Como já vinha sendo feito em outras falas da administração, ele negou que a produção de combustível seja um modelo de incineração. “Faremos o novo modelo de política de gestão baseada no reaproveitamento de energia para não termos aterro.”
Cooperativas de reciclagem - As cooperativas de catadores cobraram que o novo modelo que a Prefeitura vai implantar deve levar em conta que a reciclagem deve ser feita por elas e não por empresas privadas. Desta forma, garantiria a geração de renda para milhares de famílias, ao contrário de privilegiar o lucro de algumas empresas. A valorização das cooperativas está prevista inclusive na lei federal que instituiu o Plano Nacional de Resíduos Sólidos.
“Se tivermos treinamento, capacitação e geração de trabalho e renda. vamos reciclar bem mais que 2% que hoje são reciclados em Campinas”, comentou o presidente da Acoop, José Carlos de Souza, o Zé Pretinho. O presidente da Reciclamp, Valdecir Aparecido Viana, reclamou que a Prefeitura fala apenas em PPP (Parceria Público-Privada) e contratação de empresas e não fala nada sobre a participação das cooperativas.
O representante do Movimento Nacional de Catadores, Armando Octaviano, destacou que a Conferência Municipal de Meio Ambiente rejeitou a incineração e a realização de uma PPP para gerir os resíduos sólidos em Campinas.
Texto: Assessoria de imprensa do vereador Pedro Tourinho
Foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
