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  • 2013
  • Vereador defende comprometimento para o ensino das culturas africana e afro-brasileira

Vereador defende comprometimento para o ensino das culturas africana e afro-brasileira

Para Carlão, “falta comprometimento” para ensino das culturas africana e afro-brasileira chegar a todas as escolas
Vereador defende comprometimento para o ensino das culturas africana e afro-brasileira

Especialistas discutem ensino das culturas africanas e afro-brasileiras

"Falta comprometimento. Primeiro, da sociedade, ao não reconhecer que existe racismo. Não podemos mais conviver com gestores de plantão, que a cada um que passa quer pintar a gente de uma cor. Aqui em Campinas, não podemos ter uma Cepir (Coordenadoria Especial de Promoção da Igualdade Racial) a cada dia pendurada em um andar da Prefeitura. Precisa ter Orçamento para colocar as políticas públicas em prática", respondeu o vereador Carlão do PT sobre o motivo da Lei Federal 10.639 de 2003, que determina o ensino das histórias e culturas africana e afro-brasileira, ainda não ter sido colocada em prática em todas as escolas da cidade.


O questionamento foi feito pela professora da Rede Municipal de Ensino, Aparecida Santos da Silva, durante debate realizado pelo mandato de Carlão, nesta terça (6/8), na Câmara Municipal de Campinas. “Existe muita resistência, mas tenho grande esperança de que vamos vencer esta Luta. Só que para isso é preciso muita organização e mobilização. Não podemos desanimar, porque esta Lei é uma conquista importante”, concluiu o vereador, que desde que assumiu seu primeiro mandato, em janeiro, tem atuado com várias iniciativas para o combate ao racismo na cidade.  


Carlão também relembrou que é autor de denúncia ao Ministério Público para que investigue o descumprimento à Lei Federal no Estado de São Paulo. O Gerente de Projetos da Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) do Governo Federal, Luiz Cláudio Barcelos, disse que o governo federal tem feito esforços, criando políticas públicas de incentivo à aplicação da Lei, entre outras de combate ao racismo, mas que isso não basta. “É necessário um esforço de toda a sociedade”, acrescentou ele.


Iniciativa


“Eu, lá na escola, sei que todas as minhas boas intenções podem esbarrar na caneta do gestor”, considera Wilson Queiroz, professor da Rede Municipal que teve a iniciativa de aplicar o ensino das culturas africana e afro-brasileira onde leciona, na Escola Municipal Oziel Alves Pereira, no Parque Oziel, bairro de Campinas originário de uma grande ocupação urbana na década de 1990. Um grupo de alunos de Queiroz também esteve presente e participou do debate. Uma das principais ferramentas de trabalho do professor é a confecção de uma publicação impressa com conteúdo produzido por alunos, intitulada “InformÁfricAtivo”, com periodicidade mensal.


História Oral


Outra experiência interessante apresentada no debate é a do Arquivo Público e Histórico da cidade de Rio Claro (SP). A coordenadora do Projeto, Teresa Arruda, contou que foram capacitados 250 professores da Rede Pública para o ensino das culturas africana e afro-brasileira. O projeto também inclui a difusão nas escolas de documentários da história oral da comunidade negra, a criação de dois gibis e de um site (www.memoriaviva.sp.gov.br).


“Saravá”


“‘Saravá aie aba’, que significa ‘que a paz esteja com vocês’”, foi a frase utilizada pelo professor Natanael dos Santos para explicar que, ao contrário do que muita gente ainda acredita, algumas palavras de origem africana, como “Saravá”, não têm significado negativo, por isso não podem ser usadas de forma pejorativa. O debate foi finalizado com um trecho de sua aula dramatizada, denominada “Banda”, com instrumentos musicais, canto e palmas, o que permitiu a participação de todos os presentes.


História e desigualdade


Em sua apresentação, Barcelos explicou que o objetivo da Seppir, criada em 2003 pelo presidente Lula, é incorporar a questão racial em toda a pauta do governo, compromisso assumido também pela presidenta Dilma Rousseff (PT). Ele disse que é muito gratificante ver iniciativas como as que teve acesso no debate. “Este é o caminho e o que nos anima a continuar este trabalho”, acrescentou.


Ensino da cultura afro-brasileira é discutido na CâmaraEm sua apresentação, ele elencou algumas iniciativas para o ensino da cultura negra ao longo da história até os dias atuais e mostrou dados estatísticos que confirmam a condição de desigualdade em que vive a população negra brasileira. Em 2009, a média de estudo da população branca no Brasil era de 8,4 anos, enquanto que da população negra era de 6,7 anos.


Texto: Assessoria de Imprensa do vereador Carlão do PT


Foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas


Publicada em 7/08/2013 16h09