Vereador defende comprometimento para o ensino das culturas africana e afro-brasileira
"Falta
comprometimento. Primeiro, da sociedade, ao não reconhecer que existe
racismo. Não podemos mais conviver com gestores de plantão, que a cada
um que passa quer pintar a gente de uma cor. Aqui em Campinas, não
podemos ter uma Cepir (Coordenadoria Especial de Promoção da Igualdade
Racial) a cada dia pendurada em um andar da Prefeitura. Precisa ter
Orçamento para colocar as políticas públicas em prática", respondeu o
vereador Carlão do PT sobre o motivo da Lei Federal 10.639 de 2003, que
determina o ensino das histórias e culturas africana e afro-brasileira,
ainda não ter sido colocada em prática em todas as escolas da cidade.
O
questionamento foi feito pela professora da Rede Municipal de Ensino,
Aparecida Santos da Silva, durante debate realizado pelo mandato de
Carlão, nesta terça (6/8), na Câmara Municipal de Campinas. “Existe
muita resistência, mas tenho grande esperança de que vamos vencer esta
Luta. Só que para isso é preciso muita organização e mobilização. Não
podemos desanimar, porque esta Lei é uma conquista importante”, concluiu
o vereador, que desde que assumiu seu primeiro mandato, em janeiro, tem
atuado com várias iniciativas para o combate ao racismo na cidade.
Carlão
também relembrou que é autor de denúncia ao Ministério Público para que
investigue o descumprimento à Lei Federal no Estado de São Paulo. O
Gerente de Projetos da Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da
Igualdade Racial) do Governo Federal, Luiz Cláudio Barcelos, disse que o
governo federal tem feito esforços, criando políticas públicas de
incentivo à aplicação da Lei, entre outras de combate ao racismo, mas
que isso não basta. “É necessário um esforço de toda a sociedade”,
acrescentou ele.
Iniciativa
“Eu,
lá na escola, sei que todas as minhas boas intenções podem esbarrar na
caneta do gestor”, considera Wilson Queiroz, professor da Rede Municipal
que teve a iniciativa de aplicar o ensino das culturas africana e
afro-brasileira onde leciona, na Escola Municipal Oziel Alves Pereira,
no Parque Oziel, bairro de Campinas originário de uma grande ocupação
urbana na década de 1990. Um grupo de alunos de Queiroz também esteve
presente e participou do debate. Uma das principais ferramentas de
trabalho do professor é a confecção de uma publicação impressa com
conteúdo produzido por alunos, intitulada “InformÁfricAtivo”, com
periodicidade mensal.
História Oral
Outra
experiência interessante apresentada no debate é a do Arquivo Público e
Histórico da cidade de Rio Claro (SP). A coordenadora do Projeto,
Teresa Arruda, contou que foram capacitados 250 professores da Rede
Pública para o ensino das culturas africana e afro-brasileira. O projeto
também inclui a difusão nas escolas de documentários da história oral
da comunidade negra, a criação de dois gibis e de um site (www.memoriaviva.sp.gov.br).
“Saravá”
“‘Saravá
aie aba’, que significa ‘que a paz esteja com vocês’”, foi a frase
utilizada pelo professor Natanael dos Santos para explicar que, ao
contrário do que muita gente ainda acredita, algumas palavras de origem
africana, como “Saravá”, não têm significado negativo, por isso não
podem ser usadas de forma pejorativa. O debate foi finalizado com um
trecho de sua aula dramatizada, denominada “Banda”, com instrumentos
musicais, canto e palmas, o que permitiu a participação de todos os
presentes.
História e desigualdade
Em sua apresentação, Barcelos explicou que o objetivo da Seppir,
criada em 2003 pelo presidente Lula, é incorporar a questão racial em
toda a pauta do governo, compromisso assumido também pela presidenta
Dilma Rousseff (PT). Ele disse que é muito gratificante ver iniciativas
como as que teve acesso no debate. “Este é o caminho e o que nos anima a
continuar este trabalho”, acrescentou.
Texto: Assessoria de Imprensa do vereador Carlão do PT
Foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
Em
sua apresentação, ele elencou algumas iniciativas para o ensino da
cultura negra ao longo da história até os dias atuais e mostrou dados
estatísticos que confirmam a condição de desigualdade em que vive a
população negra brasileira. Em 2009, a média de estudo da população
branca no Brasil era de 8,4 anos, enquanto que da população negra era de
6,7 anos.
