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Comissão Especial de Estudos sobre Obesidade e Diabetes apresenta relatório final

A Comissão Especial de Estudos de prevenção à Obesidade e Diabetes apresentou na sessão ordinária desta quarta-feira (10) da Câmara Municipal de Campinas, o relatório final dos trabalhos que durante 180 dias estudou, debateu e ouviu a população e profissionais da área de saúde. No documento, a comissão sugere que o Poder Executivo implante três políticas públicas para prevenir esta epidemia que atinge milhares de pessoas. São elas a “Política de Prevenção e Combate à Obesidade e ao Sobrepeso”, por meio de lei; a criação da “Semana de Conscientização, Prevenção e Combate da Obesidade e às DCTNs (doenças crônicas não transmissíveis)”; e a implantação de uma “Rede de Apoio pela Saúde Infantil”.

De acordo com o vereador Luis Yabíku (PDT), presidente da comissão, os debates em torno dos problemas causados pela obesidade e doenças crônicas contribuíram para expor a gravidade do problema, que muitas vezes é ignorado pela grande maioria da população, por se tratar de doenças silenciosas que só vão cobrar o seu preço quando for tarde demais. “Os impactos destas doenças, conforme ficaram evidentes nos debates, são imensos não só para o doente, mas também para os familiares, principalmente de baixa renda, que são duramente afetados por esta triste realidade, que pode e deve ser combatida com ações simples, como as que sugerimos neste relatório, diz Yabíku.

De acordo com o documento produzido pelo relator da comissão, vereador Zé Carlos (SD), algumas reivindicações feitas durante as palestras e debates foram acolhidas, como a de resgatar os programas de tratamento da população através da medicina oriental, e implantar o acompanhamento nutricional nas escolas municipais, incluindo no quadro das instituições, profissionais da área de nutrição.

Política de prevenção

A primeira sugestão apontada no relatório prevê a edição de um projeto de lei que contemple ações para redução de peso, combate à obesidade adulta e infantil, contanto com a capacitação de servidores públicos municipais para trabalhar diretamente com a população. O projeto deve prever a criação de centros de diagnósticos integrados ao Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional que integre políticas nacional, estadual e municipal de segurança alimentar e de saúde. Deve também adotar medidas que disciplinem da publicidade de produtos alimentícios para o público infantil, em parceria com entidades da área de propaganda, empresas de comunicação, entidades da sociedade civil e do setor produtivo.

O relatório também sugere a criação de convênios e parcerias com a União, Estado e outros municípios e entidades da sociedade civil, para promover a alimentação saudável no âmbito escolar, proibindo a venda de produtos prejudiciais à saúde, exame biométrico para diagnosticar sobrepeso ou obesidade, criação de cardápio das refeições a serem servidas às crianças e aos adolescentes, elaborado por nutricionistas do quadro de servidores do município e que fomente práticas de exercícios físicos adequados a cada faixa etária.

Semana de conscientização

Outro ponto sugerido pelo relatório se refere à criação da “Semana de Conscientização, Prevenção e Combate da Obesidade e às DCTNs”. O Poder Executivo Municipal ficará encarregado de criar um programa relativo ao evento, que promova a integração das pessoas portadoras de doenças crônicas e obesidade em todos os níveis sociais; promova campanhas educativas visando a prevenção e a conscientização, que esclareça à comunidade as causas dessas doenças, bem como promova o intercâmbio de informações com a população, buscando soluções efetivas para as dificuldades das pessoas portadoras da doença.

Saúde infantil

O último ponto acolhido no relatório sugere a criação de uma “Rede de apoio pela saúde infantil”. De acordo com o relatório, a ideia é disponibilizar informações relacionadas à obesidade infantil, com a finalidade de conscientizar a população sobre os males causados pelo consumo de alimentação inadequada. A rede deve ser formada por servidores públicos da área de saúde (nutricionistas, psicólogos, médicos pediatra e clínico geral, além de profissionais de educação física), que em conjunto vão elaborar programas de atividades, orientação e acompanhamento das crianças e adolescentes inscritos no programa.

O relatório assinado pelos membros da comissão, vereadores Luis Yabíku (PDT, presidente), Zé Carlos (SD, relator), Luiz Carlos Rossini (PV), Jota Silva (PSB) e Edison Ribeiro (PSL), foi apresentado no plenário da Câmara na sessão desta quarta-feira (10) e agora será encaminhado ao prefeito Jonas Donizette e ao secretário municipal de saúde, Carmino Antonio de Souza.

Palestras

Durante os 180 dias de trabalhos da comissão, vários profissionais de saúde e pessoas da sociedade civil foram convidados para contribuir com os trabalhos da comissão, criada e aprovada em plenário no dia 6 de abril deste ano, por iniciativa do vereador Luis Yabíku, para estudar, debater e analisar ações e práticas preventivas no controle da obesidade e diabetes. Na primeira reunião, realizada em 20 de maio, a Dra. Maria Carolina Loureiro, professora do departamento de neurologia da PUC de São Paulo, falou sobre o impacto sócio econômico das doenças crônicas e obesidade sobre as famílias, principalmente as de baixa renda.

Na segunda reunião, realizada em 26 de maio, o cardiologista Antônio Paioli falou sobre o risco cardiovascular ligado à obesidade e doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. Em sua palestra, o médico falou da importância do tratamento da obesidade, condenou a adoção de dietas radicais, e recomendou a adesão a hábitos alimentares adequados, associados à prática de exercícios físicos regulares.

A nutricionista Laís de Paula Barbosa, da Unicamp, participou da terceira reunião, em 19 de junho, quando apresentou um estudo de sua autoria, feito com 949 adultos de 10 a 59 anos em Campinas, que descobriu que 15% da população apresenta obesidade e um alto consumo de gordura. Segundo estudo da nutricionista, quanto maior o nível de escolaridade, maior o nível de consumo de gordura.

Promovida e organizada pela Elecamp (Escola do Legislativo de Campinas), uma palestra realizada pelo bancário Paulo Alves, autor do livro “De sedentário e obeso a maratonista – Saiba como é possível!”, foi incluída no relatório da comissão. Na palestra, realizada em 11 de agosto, Alves contou como conseguiu seguir um método eficiente para perder peso, sem perder a saúde. Segundo ele, o segredo é se alimentar bem a cada três horas e praticar exercícios físicos regulares.

A última reunião da comissão foi realizada no dia 11 de setembro, quando profissionais da área de saúde da Prefeitura de Campinas vieram até a Câmara para expor os trabalhos e experiências já desenvolvidas quanto à prevenção e controle da obesidade e diabetes na cidade. Participaram dos debates a dra. Tânia Marcucci de Oliveira, coordenadora da Saúde da Criança e do Adolescente da Secretaria Municipal de Saúde, dra. Marilene Wagner, coordenadora e Saúde do adulto e do idoso, e o dr. Willian Hipolyto Ferreira, coordenador da área de saúde integrativa da Secretaria Municipal de Saúde.


Texto: Assessoria de Imprensa do vereador Luis Yabiku (PDT)

Foto: Assessoria de imprensa da Câmara Municipal de Campinas

Publicada em 10/12/2015 14h48