Comissão de Direitos Humanos aciona MP de Valinhos para investigar denúncia de violência contra família de Campinas
Vereadores de Campinas levaram ao Ministério Público de Valinhos uma denúncia de violência que teria sido praticada por guardas municipais daquela cidade contra o trabalhador Abel Gomes Vieira e os irmãos dele, Luciana e Abmael, moradores de Campinas. A representação, encaminhada ontem (21), é assinada pelos vereadores Carlão do PT - presidente da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Câmara Municipal de Campinas (CPDDCH) - e Cidão Santos (PROS). Segundo relato de Abel em depoimento à Comissão, ele foi abordado por guardas municipais no dia 23 de fevereiro, enquanto se deslocava de carro nas proximidades do condomínio Vale Verde, em Valinhos, onde trabalhava na manutenção de rede telefônica.
Quando foi parado, estava sem cinto de segurança e falando ao celular e, ao receber a multa, amassou, jogou o ticket dentro do seu carro e foi embora. Pouco depois, ao sair do condomínio, se deparou com seis viaturas da GM com homens armados, sendo que um deles encostou a arma no vidro do carro dele e o acusou de ter passado em cima do pé de um guarda quando saiu do local da abordagem inicial. O rapaz conta que foi então algemado, agredido com socos e spray de pimenta, ameaçado e levado ao Distrito Policial, aonde os irmãos (que chegaram após saberem da detenção) também foram agredidos verbalmente e ameaçados.
Na Representação protocolada no MP, é requerida a apuração da prática de racismo, preconceito, violência física e moral e abuso de poder. Segundo os relatos, o preconceito racial foi percebido quando um guarda se dirigiu a um dos irmãos de Abel como “neguinho” e se referiam ao local de residência da família, o Jardim Tamoio. “O fato é grave, tanto pela violação dos direitos do ser humano quanto pelo conteúdo das palavras excludentes, criando uma situação absurda de preconceito, discriminação, racismo e abuso de poder”, afirmam os autores no texto da Representação.
