Uma semana após aprovarem moção de protesto contra o deputado Bolsonaro, vereadores aprovam novas moções de protesto direcionadas ao deputado Jean Wyllys
Uma semana após ter aprovado uma Moção de Protesto do vereador Pedro Tourinho (PT) contra a ação do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), por ter elogiado o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (condenado pela Justiça por sequestro e tortura) durante a sessão da Câmara dos Deputados que votou pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), a Câmara de Campinas aprovou na noite desta segunda (2) duas moções de protestos destinadas ao deputado Jean Wyllys (PSOL), que na mesma sessão deu uma “cusparada” direcionada a Bolsonaro.
A primeira moção, de autoria do vereador Jorge Schneider (PTB), é de protesto ao deputado, que segundo o autor teve atitude “nojenta e deplorável” ao cuspir no colega parlamentar. Schneider também critica outras atitudes do deputado, que segundo ele age contra a liberdade de expressão. “Ele é um dos deputados mais avessos em relação á liberdade de expressão, julga seus adversários políticos e regularmente utiliza o termo homofóbico para tratar daqueles que discordam se suas posições.O coitadismo e a autovitimização são marcas constantes de seu discurso”, disse.
O vereador Paulo Bufalo, do mesmo partido do deputado, apontou que Jean Wyllys é um dos parlamentares mais ativos do Congresso e que está respondendo em Brasília as razões que o levaram aquela atitude. “Tem que ser contextualizado o que aconteceu. Jean Wyllys é elogiado internacionalmente por sua atuação, e sofre preconceito e piadinhas absurdas feitas por seus colegas por ser um deputado declaradamente homossexual e defender interesses de seus semelhantes. Sou contra esta moção”, pontuou. Além dele, votaram contra a moção – que foi aprovada por maioria – os vereadores Gustavo Petta (PC do B), Pedro Tourinho (PT) e Artur Orsi (PSD).
Já a outra moção, de autoria dos vereadores Zé Carlose Antonio Flôres (ambos do PSB) e outros parlamentares, é em protesto exclusivamente ao ato do deputado em ter cuspido. “Um ato condenável, repugnante. Se fomos contra uma atitude agressiva do Jair Bolsonaro, e eu fui uma das pessoas que votou pela moção contra ele, não podemos ter dois pesos e duas medidas: aplaudir cusparada é abominável. Quero deixar claro que somos contra a atitude dele e não contra ele. Jean Wyllys que defenda o que quiser, mas não podemos aceitar este tipo de atitude”, afirmou Flores.
Os vereadores Tourinho e Petta também se posicionaram contra esta moção, sendo que o parlamentar comunista ressaltou que Wyllys foi provocado por Bolsonaro. A maioria dos presentes, porém, aprovou a moção – os mesmos quatro parlamentares que se posicionaram contra a primeira moção repetiram o voto, além de Carlão do PT.
Havia ainda uma outra moção de protesto a ser analisada, contra a Rede Globo pelo espaço destinado ao ator José Abreu, que se envolveu em uma discussão e também cuspiu em um casal que discutiu com ele em um restaurante, mas ela foi vetada pela Comissão de Constituição e Legalidade e arquivada. Por fim, durante a sessão desta segunda também houve protestos de alguns parlamentares na tribuna - entre eles, Tourinho e Cid Ferreira (SD) - em relação a entrevista dada por Bolsonaro ao jornal Correio Popular no qual o deputado criticou a Câmara de Campinas.
Texto e foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
