Tiroteio no S. Bernardo: após reunião com moradores, empresa e prefeitura, Comissão Permanente de Segurança da Câmara requer cadeira em Grupo de Estudos e chamará PF e PM para debater entrada de armamento no país
Em um plenarinho lotado, em especial por moradores do bairro São Bernardo, a Comissão Permanente de Segurança da Câmara Municipal de Campinas realizou na tarde desta segunda (21) reunião para debater a relocação de empresas de transporte e segurança de valores para bairros não-residenciais. O encontro teve momentos de questionamento e tensão entre os envolvidos, mas foi considerado extremamente positivo pelo vereaor Tico Costa (PP), presidente da Comissão, que já antecipa os próximos passos.
“A proposta da reunião de hoje era trazer moradores e envolvidos para debater a questão e foi plenamente atendida, pudemos mostrar os argumentos dos dois lados, tanto dos munícipes quanto das empresas, para que sejam levados em consideração. Nosso primeiro passo agora é requerer à Prefeitura para que um integrante da Comissão participe do Grupo de Estudos que avalia a relocação e, além disso, vamos marcar uma nova com a Polícia Federal e a Polícia Militar para discutir a entrada de armamento ilegal no país, que foi um dos problemas apontados nesta reunião como facilitador de ações como a ocorrida no São Bernardo”, conta.
O Grupo de Estudos da prefeitura foi criado na última terça, um dia após o presidente da Câmara Municipal, vereador Rafa Zimbaldi (PP), ter protocolado requerimento à administração municipal solicitando mudança da lei para que as empresas de segurança não pudessem mais se sediarem em bairros residenciais – e solicitando providências para que fossem relocadas as quatro existentes atualmente: a Blue Angels, no Jardim Santa Genebra; a Brinks, no Jardim do Vovô; a Prosegur, no Jardim Nova Mercedes; e a Protege, no São Bernardo (que foi atacada em uma ação cinematogrática na segunda-feira passada, levando terror aos moradores do bairro).
Ao assinar o decreto para criar o Grupo de Estudos, que terá prazo de 60 dias para apresentar suas conclusões, o prefeito Jonas Donizette afirmou que ele estava sendo criado nos moldes do requerimento de Rafa Zimbaldi e enfatizou que as empresas não devem ser hostilizadas, pois também foram vítimas da violência. Na reunião desta tarde, o Secretário Munipal de Relações Institucionais, Wanderley Almeida, ressaltou que o Executivo já busca alternativas para garantir a segurança dos moradores sem que as empresas deixem de operar.
Rubem Schechter, presidente da ABETV (Associação Brasileira das Empresas de Transporte de Valores) afirmou que a Protege foi vítima assim como os moradores. “É preciso repensar as políticas de segurança pública. A Polícia Militar recebeu dezenas de chamadas, mas levou cinqüenta minutos pra atender a ocorrência. As empresas compactuam com a preocupação dos moradores, mas a responsabilidade é das forças de segurança, é do Estado, que deixa de cumprir suas obrigações.”
O vereador Marcos Bernardelli (PSDB), que é advogado e na reunião representou a Sindiforte (Sindicato dos Trabalhadores de Transporte de Valores, porém, afirmou que a responsabilidade das empresas é maior. “As primeiras vítimas são os funcionários e a população, as empresas têm co-responsabilidade. É mais fácil pagar o seguro pra roubo e receber depois que acontece a ação criminosa, mas a proposta de melhoria na segurança tem que partir das empresas: uma vez que elas estão nos bairros, deveriam dar segurança a eles”, disse.
O parlamentar Vinicius Gratti (sem partido), que é morador do bairro, também entende que as empresas têm de agir mais ativamente neste sentido. “As pessoas ainda sentem medo, pensam em mudar do bairro. Foi algo grave e, embora também sejam vítimas, as empresas têm responsabilidades e penso que não deviam se instalar nesses bairros residenciais”, pontuou.
“Esperamos, inclusive, que antes que aconteça um episódio como o ataque à Protege novamente, se trabalhe para que as empresas deixem os bairros residenciais”, complementou o vereador Jota Silva (PSB). Ivone Mendonça, da Comissão de Moradores do São Bernardo, disse acreditar que o poder público, como fez, tem que iniciar a as discussões para se encontrar um encaminhamento. “Essas empresas são uma ameaça à vida. E a população não teve respaldo ou orientação da PM”, afirmou.
O delegado Luís Segantim Junior, do Deinter 2, informou que a Polícia Civil está trabalhando com afinco no esclarecimento do caso e já realizou prisões. Ele destacou ainda que o serviço de inteligência da Polícia busca alternativas para evitar ações criminosas como a ocorrida na última segunda de maneira constante.
Texto e foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas
