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Unicamp terá Ato Contra o Racismo, na segunda (21) ao meio-dia; reunião com presidente da Comissão de Direitos Humanos na Câmara indicou necessidade de um grupo de Combate ao Racismo na universidade

21/03/2016

O Núcleo de Consciência Negra da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), grupo composto por estudantes e funcionários da universidade que atuam pela igualdade racial, organiza o “Ato Contra o Racismo” às 12 horas desta segunda, 21 de março, que é Dia Internacional de Luta Pela Eliminação da Discriminação Racial. O ato está marcado para o saguão do PB (em frente ao Ciclo Básico II), e conta com o apoio do vereador Carlão do PT, que é presidente da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Câmara Municipal e também coordena a Campanha É Racismo! Não É Um Mal Entendido.

No início do mês, o IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) foi palco de pichações com a frase “White Power” (Força Branca), acompanhada de símbolo da seita Ku Klux Kan (KKK), entre outras que fazem referência ao nazismo de Adolf Hitler. A KKK pregava a “supremacia branca” nos EUA para justificar a violência contra negros, judeus e imigrantes. Carlão foi ao local para registrar o conteúdo das pichações, conversou com alunos e funcionários, que relataram outras demonstrações de preconceito racial presentes nos campus há tempos.

Por essa razão, a criação de uma Comissão de Combate ao Racismo na Unicamp para acompanhamento de denúncias de preconceito racial na universidade foi apontada como necessária por representantes de funcionários e alunos e pelo próprio parlamentar, durante reunião com o coordenador geral e vice-reitor da Unicamp, Álvaro Penteado Crósta, na manhã da última quarta (16).  O vereador defende que essa Comissão tenha representação de todos os segmentos presentes na universidade e envolva também outros setores da sociedade.

 

Teófilo Reis, ex-aluno, atual funcionário da universidade e integrante do Núcleo de Consciência Negra da Unicamp, avalia que essa Comissão é fundamental para evitar retaliações aos denunciantes. “Há muitas situações de racismo na Unicamp, como professor fazendo chacota com aluno do movimento negro e perseguição a alunos. É crucial que a universidade trate a questão racial de maneira mais enérgica”, defende.

 

Celso Ribeiro de Almeida, coordenador-adjunto de Assuntos Comunitários, reiterou a necessidade da comissão e também do ensino da história e cultura africana e afro-brasileira nas licenciaturas, cursos de graduação que formam professores, para que sejam preparados para levar esse conhecimento aos alunos do ensino fundamental e médio, conforme previsto nas leis federais 10.639 e 11.645.


“De fato, a universidade ainda não está cumprindo como deveria a Lei 10.639”, admitiu Crósta. Ele se mostrou solidário às iniciativas propostas, mas sugeriu que sejam antes discutidas em um Fórum sobre intolerância, a ser promovido pela universidade, para que fique “fortalecido na comunidade”. “Acho que essa é uma luta na qual temos que embarcar todos juntos”, acrescentou. A expectativa de Almeida é de que esse Fórum ocorra em maio.

 

No caso das pichações ou outros de preconceito racial, Crósta disse que a apuração de responsabilidades deve partir da unidade (neste caso, da direção do IFCH), por meio de sindicância. “Os alunos não podem temer, têm que denunciar. Se na unidade não forem tomadas providências, tomaremos aqui. É inaceitável isso.”, afirmou. Contudo, disse que acredita mais em ações de conscientização, como o Fórum que propôs.  

O vice-reitor avalia que essas pichações são problemas pontuais. “Não me parece que temos na universidade grupos de ultra direita”, disse. Também participaram da reunião Edna Lourenço, do grupo Força da Raça; Renata Cristina Cardoso, psicóloga da Coordenadoria de Assuntos Comunitários; e José Braga, assessor da Coordenaria Geral da Unicamp.

Disque 100

Vale lembrar que também na semana passada, na quinta (17), a Câmara Municipal sediou o lançamento do Disque 100, serviço nacional de ligação gratuita que recebe denúncias de violações de Direitos Humanos.  O Disque 100 é um serviço coordenado pelo Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, por meio da Secretaria de Direitos Humanos.

Desde 2003, o serviço é uma responsabilidade do governo federal. O serviço de atendimento telefônico é gratuito, funciona 24 horas por dia, nos 7 dias da semana. As denúncias recebidas na Ouvidoria dos Direitos Humanos e no Disque 100 são analisadas, tratadas e encaminhadas aos órgãos responsáveis.

Por sua natureza de instância de diálogo e registro de manifestações da população, o Disque 100 também tem se consolidado como uma importante fonte de dados estatísticos sobre violações de Direitos Humanos e a Ouvidoria dos Direitos Humanos tem buscado a cada dia tornar essas informações públicas para pesquisadores e interessados.

Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas, com informações da Assessoria do vereador Carlão do PT
Foto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Campinas

Publicada em 21/03/2016 11h06