Comissão cobra nova pesquisa sobre ensino da história da África e Afro-brasileira
A Comissão Especial de Estudos que analisa a Implementação da Lei 10.639/2003 que torna obrigatório o ensino das histórias e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio decidiu em reunião realizada nesta quarta-feira (30) que vai solicitar uma nova pesquisa sobre quais escolas aplicam a lei. Na avaliação da comissão, não houve a divulgação necessária sobre a pesquisa, assim, será feito um pedido para que a Secretaria Municipal de Educação reaplique a pesquisa na rede com a devida divulgação, ainda este ano.
No dia 21/03, Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, o mandato divulgou os dados da pesquisa realizada entre agosto de setembro de 2016 com educadores da rede municipal sobre o ensino das histórias e culturas africana e afro-brasileira. Os dados são preocupantes. Dos 7.080 educadores entre professores, agentes de Educação Infantil, Gestores e Gestores de Nível Central, apenas 218 responderam à pesquisa que foi disponibilizada no sistema Educação Conectada. Este fato já revela o silêncio da rede de ensino em relação à temática racial.
Sobre o contato com a questão étnico-racial na formação inicial, 47% dos profissionais evidenciaram não ter tido contato com a temática. Já 42,4% destacam que tiveram contato de forma transversal em diversas disciplinas. Apenas 10% em disciplinas específicas. Os dados demonstram a lacuna da formação inicial docente acerca da temática.
Esses dados foram debatidos na reunião, que contou com a presença do vereador Carlão do PT, da vereadora Mariana Conti, da professora Ângela Soligo da Faculdade de Educação da Unicamp, do advogado Tagino Alves dos Santos, presidente do Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra de Campinas (CDPCNC) e de Elodyr Vasconcelos Ponte Rocha Cortes, representante da Secretaria Municipal de Educação.
Debate - Outra sugestão é a realização de um debate na Câmara Municipal para discutir a aplicação da lei Lei 10.639/2003 com a participação de representantes das universidades sediadas em Campinas, representantes da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Apropucc (Associação dos Professores da PUC-Campinas), STU (Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp), Adunicamp (Associação dos Docentes da Unicamp) e Afuse.
Bons exemplos – Algumas escolas de Campinas já cumprem a lei e ensinam aos alunos as histórias e cultura afro-brasileira e africana. A ideia é que essas escolas demonstrem par ao restante da rede como estão tratando o tema, para que sirvam de inspiração.
Texto: Gabinete do vereador Carlão do PT
Foto: Central de Comunicação Institucional da CMC
