Ailton da Farmácia promove palestra e reunião solene com quatro homenageados para celebrar Dia da Consciência Negra
O mandato do vereador Ailton da Farmácia (PSD) promove, na próxima quinta-feira ( 23) a partir das 9 horas no Plenário da Câmara, palestra com o professor Natanael dos Santos. Na sequência, entregará homenagens, em reunião solene, ao goleiro Aranha, da Ponte Preta; aos artistas Cota do Cavaco e Fofo do Grupo Contágio; e de mulher virtuosa à Dona Clarice, que tem histórico de lutas em prol dos movimentos sociais. O objetivo é celebrar o Dia da Consciência Negra.
“Cada ação para promovermos a cultura negra faz parte da nossa luta diária em combatermos qualquer forma de racismo e de preconceito. Teremos a presença de alunos de escolas municipais e estaduais. Nossa proposta é levar informação aos nossos jovens, para a construção de uma sociedade justa e igualitária”, disse o vereador Ailton da Farmácia.
O tema da palestra do professor Natanael será “Minha África brasileira, educação e diversidade”. Escritor e pesquisador, Natanael dos Santos é diretor artístico da Associação Liberdade Canto e Dança desde 1983, onde divulga a história do povo africano e sua importância na formação cultural e econômica do Brasil.
É membro-fundador e coordenador de pesquisas do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Unicamp – Universidade Estadual de Campinas e do Nigéria (Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Feevale de Novo Hamburgo/RS; palestrante do MEC – Ministério da Educação e Cultura – no programa Diversidade na Universidade Projetos Inovadores de Curso – PIC/2006; e membro atuante do Núcleo de Estudos Preconceitos e Intolerância – Nepi/SC.
Os homenageados
O goleiro Mário Lúcio Duarte Costa, mais conhecido como “Aranha”, receberá o diploma de Mérito “Zumbi dos Palmares” por sua contribuição à valorização da comunidade negra e da cultura afro-brasileira. Ele é o camisa 1 da Associação Atlética Ponte Preta. Sua luta contra o preconceito racial no futebol é antiga e já foi marcada por episódios tristes. Em 23 de novembro de 2005, após ter deixado um amigo, também jogador da Ponte Preta no Hospital da PUC em Campinas, ‘Aranha’ foi abordado de forma violenta por policiais, com socos e chutes.
Recebeu insultos racistas, além de agressões físicas. Depois de muita confusão, um dos policiais o reconheceu como goleiro da Ponte Preta. Segundo o goleiro, o policial disse que o confundiu com um assaltante de caixas eletrônicos. No dia 28 de agosto de 2014, em uma partida de futebol da Copa do Brasil no estádio do Grêmio, de Porto Alegre, o goleiro Aranha foi xingado de ‘Macaco’ por um grupo de torcedores da equipe gaúcha. Aranha concedeu várias entrevistas e sempre enfocou o quão o racismo é nocivo às relações e deprimente para uma sociedade como a brasileira.
Os dois diplomas de Mérito Cultural serão entregues a João Henrique dos Santos, o ‘Cota do Cavaco’, e a Altamiro Leite Júnior, mais conhecido como ‘Fofo do Grupo Contágio’. ‘Cota do Cavaco’ atua, desde 1981, no cenário musical paulista, sempre se espelhando na formação instrumental do grupo Fundo de Quintal. Foi o pioneiro, no interior paulista, a acompanhar o grupo, tocando cavaco, banjo, violão, tantan, repique de mão, pandeiro e outros. Após isso, nasceu o grupo Nova Morada.
Em 1991, fundou o grupo Tom Maior, que ficou conhecido nacionalmente. Acompanhou grandes artistas renomados do cenário musical brasileiro, tais como: Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra, Mauro Diniz, D. Ivone Lara, Geraldo Filme e Aniceto do Império.
Sempre exaltando e valorizando o samba tradicional, ‘Cota’ também participou, como músico durante 12 anos, do “City Banda”, projeto de Carnaval de rua de um dos bairros nobres de Campinas, o Cambuí e toca, há vários anos, no Carnaval do Tênis Clube de Campinas. Gravou samba-enredo em homenagem aos 100 anos da Ponte Preta como compositor junto ao músico Juninho Fortaleza.
‘Fofo’, do Grupo Contágio, é musico e vocalista de um dos grupos mais antigos e tradicionais de Campinas. Sua história e envolvimento com o Grupo Contágio começaram no mundo da música popular brasileira em 1993, como uma das suas maiores vertentes, que são o samba e o pagode.
O que era um grupo de amigos que se reunia em sua casa no Jardim Garcia, para fazer um bom churrasco, passou também a tocar e cantar o samba. Assim, nasceu o grupo, que alegrou as noites do Bar Reciclagem, no Bairro Cambuí, o Flor de Liz, onde permaneceu por 17 anos e que está, há 12 anos, na casa de shows Tonico’s Boteco.
Atualmente, já com 23 anos de sucesso, o Contágio tem se apresentado em várias cidades do Brasil, levando o nome e o samba que nasceram em Campinas. Recentemente, ‘Fofo’ e o Grupo Contágio fizeram uma de suas maiores turnês pelo Rio de Janeiro.
O Contágio em sido convidado para fazer aberturas de shows, participações ao lado de grupos renomados, tais como Fundo de Quintal, Exalta Samba, Revelação, Katinguelê e Art Popular; de sambistas como Leci Brandão, Yvonne Lara, Belo, Almir Guinetto, Jorge Aragão; e também com o sambista maior da música brasileira, Zeca Pagodinho. Em 2012, ‘Fofo’ e o Grupo Contágio realizaram o seu maior sonho ao gravar o primeiro DVD ao vivo em Ilhabela e despontar para o sucesso com a música “Me olha”. Em 2016, o grupo lançou o seu novo CD “Revitalizar”, no Rio de Janeiro.
Clarice Antônia de Camargo, ‘Vó Clarice’, receberá o diploma de mérito mulher virtuosa por sua contribuição aos movimentos populares. Ela nasceu em 1933, na cidade de Monte Alegre do Sul, interior do Estado de São Paulo, e chegou a Campinas em meados de 1947, aos 14 anos de idade. Teve como primeira residência, em Campinas, o Pátio Guanabara, onde muitas famílias de funcionários da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro moravam.
Casada por 10 anos com o sr. Álvaro de Camargo, tintureiro e uns dos primeiros negros lutador de box, ficou viúva muito cedo. D. Clarice sempre lutou para poder criar suas quatro filhas. Trabalhou a vida toda como doméstica. Foi, nesta época, que começou a atuar de forma intensa nos movimentos populares e sociais de Campinas. Entre eles, o Movimento Negro de Campinas e a Associação Profissional Beneficente das Empregadas Domésticas, onde conheceu a sra. Laudelina de Campos Melo. Juntas, lutaram por fazer prevalecer os direitos das mulheres.
Tornou-se referência da luta contra o preconceito, trabalhando com a valorização da autoestima da comunidade negra. Moradora do bairro Vila Castelo Branco, desde 1967, ela tem o respeito e a admiração de todos. Transformou a Rua Zocca em um centro social e fala em verso e prosa por toda cidade.
Texto: Gabinete do vereador Aiíton
Foto: Central de Comunicação Institucional da CMC
