Delegado da capital paulista diz que implantação da delegacia especializada deve revelar real situação dos idosos em Campinas
O delegado da 1° Delegacia Especializada na pessoa idosa em São Paulo, Mário Dirienzo, afirmou que pela sua pela experiência e convicção na profissão, “a implantação de uma delegacia do idoso em Campinas pode revelar questões sobre esta população que ainda não vieram à tona, como a condição em que vivem e em qual contexto familiar estão inseridos em nossa cidade, ultrapassando o âmbito policial”. A revelação foi feita na tarde desta segunda-feira (25), durante a primeira reunião da Comissão Especial de Estudos da Câmara para a criação da delegacia do idoso na cidade, presidida pelo vereador Rubens Gás (PSC).
O delegado iniciou o encontro comentando que a Polícia Civil tem procurado mudar o seu perfil e, cada vez mais, estar presente em setores que estão à margem da atuação policial, se moldando a uma sociedade plural e democrática. Por isso, as delegacias especializadas devem ter prestígio por estar em contato com públicos vulneráveis.
Dirienzo esclareceu que a delegacia do idoso somente apura e investiga os crimes previstos no Estatuto do Idoso. Em sua delegacia, as infrações mais registradas são abandono da pessoa idosa e apropriação indevida de seus bens. E que os crimes ocorrem no ambiente doméstico, na maioria das vezes, sendo os familiares e os cuidadores de idosos os principais infratores. “A base da investigação será, em primeiro lugar, por meio da abertura da ocorrência realizada pelo próprio idoso ou seu representante, mas também existe a instauração de inquéritos por meio de denúncias realizadas pelo Disque 100”, complementou.
Para o presidente da CEE, Rubens Gás (PSC), “as informações discutidas nesta reunião serão de grande valia para a elaboração de um projeto de lei que determine a criação de uma delegacia especializada ao idoso. Uma metrópole como Campinas não pode deixar de cuidar dessa parcela da sociedade”.
O delegado explicou ainda que mesmo que a pessoa idosa tenha sido ruim quando mais jovem, ela não perde o direito de ser assistido pela família e pelo poder público. “Os agentes tem que ter bastante sensibilidade para atuar. Embora quem cometeu um crime deva ser punido, a atuação ocorre em ambiente familiar, normalmente. São questões delicadas e exige satisfazer dois aspectos da legislação: punir o criminoso e também harmonizar a família”, afirma Dirienzo.
A presença de assistentes sociais nas delegacias do idoso foi um ponto enfatizado na discussão. De acordo com o delegado, muitas vezes, o policial é obrigado a fazer esse papel deste profissional sem ter a formação adequada, valendo-se apenas da sua experiência. Além disso, nem todas as questões que chegam à delegacia tornam-se ocorrências e o assistente social auxiliaria na orientação e encaminhamento dos idosos para as delegacias de bairro, outras entidades ou ao NECRIM – Núcleo Especial Criminal – um setor da Polícia Civil que faz a mediação de conflitos e trata de crimes de menor potencial ofensivo.
Durante a discussão, um dos representantes do Conselho Municipal do Idoso sugeriu que no mesmo local da instalação da delegacia em Campinas, também sejam instalados postos de atendimento de órgãos como Defensoria Pública e o PROCON. Para o delegado, essa união com outros poderes é bastante benéfica para os idosos, já que coloca este público em contato com profissionais de diversas áreas, facilitando a resolução de seu problema. “Se a delegacia de Campinas tornar esta ideia realidade, será um modelo para todo o Estado”, afirma Dirienzo.
O presidente da comissão adiantou que mais três encontros estão programados para debater o assunto e que devem contribuir com a formulação do projeto de lei.
Além de Rubens Gás, a reunião da CEE contou com a presença dos vereadores Fernando Mendes (PRB) e Jorge da Farmácia (PSDB).
Texto e Foto: Central de Comunicação Institucional da CMC
