Carlão do PT pede a exoneração imediata de presidente da Fundação Cultural Palmares
Moção do vereador Carlão do PT, protocolada na Câmara Municipal de Campinas, apela ao presidente Jair Bolsonaro para que exonere imediatamente o presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, por não representar os anseios comunidade negra, não ter competência para administrar a instituição e não ter conhecimento da luta por igualdade de direitos e de oportunidade.
No documento, o parlamentar relembra o histórico da fundação, citando que em 22 de agosto de 1988, quando foi completado o Centenário da Abolição da Escravidão no Brasil, o então governo federal fundou a primeira instituição pública voltada para promoção e preservação dos valores culturais, históricos, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira.
“Ao longo dos anos, a Fundação Cultural Palmares tem trabalhado para promover uma política cultural igualitária e inclusiva, que contribua para a valorização da história e das manifestações culturais e artísticas negras brasileiras como patrimônios nacionais. Entretanto, o novo modelo adotado para a gestão do atual presidente, não representa de forma nenhuma o objetivo de promoção e preservação dos nossos valores para a qual a instituição pública foi fundada; desde quando ser eficiente e transparente significa desqualificar, desrespeitar, desvalorizar a luta de um povo que contribuiu para o desenvolvimento desse país, durante quase quatro séculos com o trabalho de mão de obra escravizada”, escreve Carlão do PT
Na moção o vereador relata reportagem publicada no jornal O Estado de São Paulo, na qual Sérgio Camargo chamou o movimento negro de "escória maldita" em uma reunião gravada sem que ele tivesse conhecimento. Na ocasião, Camargo também disse que Zumbi dos Palmares era "filho da p.... que escravizava pretos", criticou o Dia da Consciência Negra, falou em demitir "esquerdista" e usou o termo "macumbeira" para se referir a uma mãe de santo.
“Neste sentido não podemos permitir e aceitar que um ser humano que não reconhece sua própria identidade, que desconhece que a cultura africana preservada no Brasil junto a tradição e costumes é plural, uma vez que sua milenar sociedade divide-se em diversos grupos étnicos e sua diversidade cultural é rica e imensa, que nega e desconhece sua própria história, desconstrói as lutas e conquistas do povo negro, que nega a política genocida desse pais e o racismo estrutural sistêmico contínuo, está impossibilitado de estar à frente da gestão da Fundação Cultural Palmares”, finaliza o vereador.
Texto e Foto: Central de Comunicação Institucional da Câmara Municipal de Campinas
